Janet Yellen alerta para perigo de incumprimento dos Estados Unidos

O aviso vem do mais alto nível e do coração do sistema financeiro dos Estados Unidos. Janet Yellen a poderosa Secretária do Tesouro (Ministra das Finanças) da Administração Biden, e antiga governadora do Reserva Federal, em carta enviada ao Congresso norte-americano alertou para o perigo de incumprimento (default) da divida pública norte-americana já no próximo mês de outubro se os deputados não autorizarem o Governo americano a aumentar a dívida pública.

Um incumprimento norte-americano abriria uma enorme crise financeira de alcance mundial de que os Estados Unidos sairiam muito enfraquecidos mas deixaria em escombros a economia mundial. Como sabemos o dólar é a moeda base do comércio mundial. Sem uma moeda credível para lhe servir de suporte o comércio mundial tenderia a paralisar inviabilizando as importações de bens essenciais e as exportações. Países mais expostos ao comércio externo como Portugal seriam os mais prejudicados com o desmoronamento do dólar.

Reagindo à ameaça o Congresso aprovou uma lei para estender por um ano, até dezembro de 2022, a divida norte-americana, mas essa lei pode não ser aprovada no Senado onde os democratas precisam de pelo menos quatro votos de republicanos para aprovar a lei.

Enquanto os deputados e senadores americanos discutem o mundo espera ansioso a decisão que terá de ser tomada rapidamente. E outubro está aí à porta.

Este episódio acabará provavelmente com a extensão dos limites de dívida e com cortes significativos no plano de investimento para a recuperação de Biden, mas ele recorda ao mundo que a dependência do dólar no comércio internacional começa a não ser saudável nem sustentável e que outras soluções devem ser pensadas e planeadas.

A comunidade planetária não pode depender das questiúnculas políticas partidárias entre democratas e republicanos relativamente às políticas fiscais e aos limites ao endividamento público.

Como lidar com este risco sistémico de grande dimensão e alcance? Este é um tema que provavelmente não sairá tão cedo das preocupações dos principais líderes de economias abertas, como a Alemanha, o Japão e mesmo a China, que dependem do comércio externo para sobreviver e progredir. O Euro ainda não tem o alcance necessário para se tornar, em caso de necessidade, um substituto do dólar.

Que plano de emergência tem Portugal para o seu comércio externo se os Estados Unidos entrarem em incumprimento? Que níveis de reservas de abastecimentos estratégicos temos hoje?

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