Pedro Rocha Vieira

Keep Calm and Stay Focused

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Portugal deve aproveitar para atrair alguns dos descontentes e consolidar-se como um hub de inovação.

Esta foi uma semana muito paradigmática do tempo complexo em que vivemos marcado pela incerteza, e não podia servir de melhor enquadramento para começar estas minhas crónicas sobre a importância da inovação e da tecnologia para a criação de valor económico e social.
Portugal, apesar dos seus defeitos e atavismos, é um “país do futuro”, e tem se afirmado como um país emergente, em particular com Lisboa como um dos mais relevantes hubs de inovação (subiu da 23.ª para a 5.ª posição em 2016, segundo o Startup Heatmap Europe). Na área das startups e inovação em que trabalho, e depois do Web Summit, Portugal e Lisboa passaram a estar na short list Europeia de locais a considerar por grandes startups e multinacionais. Mas para que possamos prosseguir é importante mudar a forma como nos olhamos e como olhamos para o contexto global.
Na semana de tomada de posse do presidente Trump (uma das principais fontes de ansiedade planetária), e em que o Reino Unido anuncia a saída limpa da União Europeia (criando incerteza sobre muitos imigrantes), e em que o presidente chinês anuncia em Davos que a China quer ser o rei da globalização (sendo neste momento o capital chinês um dos maiores responsáveis pela capitalização da economia nacional), acredito que Portugal deve aproveitar para atrair alguns dos descontentes e consolidar-se como um hub de inovação, alavancado numa estratégia de inovação aberta entre startups, governo e grandes empresas.
Muitas das melhores startups do mundo nasceram em contexto de crise: a Microsoft, a General Electrics ou a FedEx; e segundo Fred Wilson (partner da USV), não existe correlação entre sucesso das startups e um contexto de mercados financeiros forte.
As startups são responsáveis por grande parte da criação de valor e por uma importante parte da criação líquida de emprego (cerca de 27%), mas mais importante do que isso, são responsáveis pela criação de emprego qualificado e das “profissões do futuro”, cada vez mais relevante no âmbito da 4.ª revolução industrial.
Num momento de crise política e aumento da possibilidade de conflito global, não deixa de ser curioso que seja Elon Musk, um empreendedor imigrante americano, o promotor das maiores inovações em setores tão relevantes como a energia, a mobilidade e o espaço.
Da mesma forma, não deixa de ser relevante que, a par “da destruição maciça de capital” por parte do sistema financeiro (mais de €35 mil milhões em Portugal, nos últimos 16 anos), apenas quatro startups internacionais (Stripe, Square, Transferwise e Adyen) tenham conseguido, em pouco mais de 6 anos, uma avaliação superior ao do conjunto da banca nacional, e sejam as FinTech das áreas de Capital de Risco mais emergente a nível global, com $3,7Bi de investimento em 2016.
Vivemos num mundo cada vez mais complexo, incerto e descentralizado, nunca a inovação e liderança eficaz foram tão importantes. O futuro é agora, cabe a cada um de nós fazer parte da construção da mudança que queremos ver acontecer.
Cofoundador e CEO da Beta-i

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