Opinião

Lições de sucesso de um tubarão

Os tubarões, com Daymond John segundo a contar da esquerda/Disney ABC

Daymond John tem uns conselhos para quem quer ser um empreendedor bem sucedido. E não envolvem levantar-se às quatro da manhã

Se houvesse uma fórmula infalível para atingir o sucesso, todos os livros para empreendedores seriam redundantes. A própria busca de uma receita é parte do caminho, que tem tantas variáveis quantas definições de falhanço. O que podemos é aprender com quem fez essa escalada, perceber quais as características que as pessoas bem-sucedidas partilham e testar abordagens nas nossas jornadas. Quem é que não gosta de uma história de vitória perante a adversidade?

Foi isto que ouvi de Daymond John, o fundador da marca Fubu e um dos carismáticos tubarões de Shark Tank. Não é um conto de coisas terríveis que levaram a uma fortuna de milhões, mas sim uma história de perseverança em lume brando. Daymond publicou em Janeiro o livro “Rise and Grind”, onde dá a sua versão do que é preciso para chegar ao outro lado – o lado de quem construiu um império com muito pouco. Foi, disse ele numa sessão inspiradora, a “história clássica” de uma mãe que acreditou muito nele.

A marca milionária que criou, Fubu, não se tornou popular da noite para o dia. “Dei muitos passos pequenos e acessíveis”, contou, revelando que vendia as suas t-shirts à noite enquanto se mantinha no trabalho de dia. Não se despediu desse emprego durante os seis primeiros anos do negócio porque não sabia onde aquilo ia dar. Arrendava quartos em sua casa para angariar fundos e, considera, aprendeu da maneira mais dura. Criou uma marca para o hip hop numa altura em que não havia Instagram nem influenciadores. Levou o caminho longo até à glória.

Algumas das coisas que disse ficaram-me no ouvido, por não serem aqueles conselhos batidos que se vêem nas listas de #fazedores. Daymond John esteve sempre nos bastidores, não na luz da ribalta, porque queria ser reconhecido pelas pessoas certas. “Tive parceiros e mentores tremendos”, sublinhou. “Tento contratar pessoas que são mais inteligentes que eu.”

Isto é crucial, toda a gente o sabe, mas não o vejo praticado nas hierarquias em Portugal. Pelo contrário. Com tanta conversa de digitalização e transformação da liderança, emprego 4.0 e quejandos, o que impera é a mania de “só eu sei fazer, só eu posso decidir.” Essa teoria de que o chefe, o gestor, o fundador sabe mais que os outros todos e não tem nada a aprender com os subordinados. Depois fazem-se conferências catitas cheias de slides inspiradores, mas no fim do dia quem decide é o mesmo. Não há capacidade de delegar porque se tende a contratar quem não pareça melhor que eles. Daymond John tem a noção oposta. “Aprendi tanto com os meus colegas tubarões. Aprendo muito com as pessoas na minha empresa. Somos um círculo muito coeso.”

E a verdade é que não se pode perguntar a um candidato se é mais esperto que nós. “Ouça lá, você acha-se mais esperto que eu?” é quase uma provocação. Não, há que aprender a identificá-los e a premiá-los. “A única coisa que não expira é a interacção humana.”

A estratégia deste investidor, cuja fortuna está avaliada em 250 milhões, baseia-se numa lista de 10 objectivos que actualiza constantemente. Os primeiros 6 são definidos com um prazo de poucos meses, os outros 4 são a 5 e a 10 anos. “Revejo os meus objectivos no início do dia e antes de ir dormir porque quero sonhar com eles”, disse.

Mais importante ainda, Daymond nunca os atinge completamente, porque são tão ambiciosos. “Atinjo 20%, 50%, 70%”, explicou. “Visualizar objectivos é uma prática muito específica.” Não basta dizer que se quer aumentar a fortuna em X por cento; é preciso definir como. Por exemplo, trabalhando mais 5 horas por dia. Eis outros conselhos de Daymond:

– Não responder a emails durante a primeira hora do dia

– Escrever o próprio obituário, o que se quer conquistar

– Reservar tempo para a família

– Aproveitar as capacidades de marketing e experiência das outras pessoas, não apenas o seu dinheiro

Houve algo ainda mais pungente no que o tubarão disse. “Os empreendedores são o oposto de visionários. Eles fazem algo que não foi feito antes.” Não é uma questão de ver, é de fazer. “Um sucesso do dia para a noite demora 15 anos.” E terminou com isto: “nunca vi um empreendedor bem-sucedido que começasse logo a pensar na sua estratégia de saída.”

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