Opinião: Rosália Amorim

Liderança pelo exemplo

O primeiro-ministro, António Costa. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Sempre ouvi um amigo médico dizer: “não se atua na doença, mas na saúde”.

Não querendo parecer injusta ou insensível à dificuldade que tem sido, para todos, gerir a pandemia, mais de seis meses depois do confinamento parece-me um pouco tardio anunciar agora novas medidas para o outono-inverno. Anunciar medidas só agora, e com aplicação só a partir de dia 15 é não ter reparado que muitas universidades privadas e colégios já começaram o ano letivo há dias e que muitas empresas estão a trabalhar em pleno. Já há milhares de operários, professores e alunos nas ruas e nos transportes públicos e para quem as regras do plano de contingência chegam com atraso.

A consciência cívica e a liderança pelo exemplo ganham maior relevância perante o momento que vivemos. Liderar pelo exemplo exige planear bem e atempadamente, dar o corpo às balas com consciência, prevenir e atuar no calendário certo e motivar os outros a seguir o líder. Aos políticos e governantes pede-se liderança pelo exemplo. Vários setores da sociedade, e da economia em particular, têm dado o exemplo, atuando antes de todas as instituições públicas, planeando, aplicando planos de contingência, produzindo materiais de proteção individual, como tem sido o caso da indústria têxtil e não só.

Os portugueses estão preocupados. Factos: há mais 687 infetados e três mortos, segundo dados de ontem, 11 de setembro. Entre as medidas de contingência para o pós-15 de setembro não consta, estranhamente, o uso obrigatório de máscara na rua. A prática tornou-se obrigatória noutras capitais europeias. Se a medida já tivesse sido tomada talvez pesasse na decisão de os ingleses nos levarem mais a sério. Mas não. Em vez disso, preferiram colocar Portugal, de novo, na lista negra dos países cujo corredor aéreo passa a ter um sinal vermelho.

Na prática, Londres volta a considerar Portugal continental um destino não seguro. E, claro, o Algarve é das regiões mais afetadas, com um impacto financeiro significativo. Setembro foi o mês em que mais britânicos visitaram Portugal em 2019. Foram mais de 262 mil, muitos dos quais dormiram no Algarve. O turismo não esperava repetir propriamente este número, mas contava com estes viajantes para atenuar alguns dos efeitos da pandemia nas contas, afinal este seria o mês em que os golfistas começariam a chegar em força, salvando uma parte do negro verão de 2020. Assim, a desilusão foi grande. O país não conseguiu salvaguardar a posição do Algarve, tendo a região ficado praticamente fora da pandemia desde o início em março. O Algarve sai altamente penalizado, mas os números totais das exportações portuguesas também. Só os Açores e Madeira ficaram de fora desta penalização.

Portugal tem de dar sinais fortes e visíveis de prevenção. O uso obrigatório de máscara na rua poderia ajudar. Quando à pandemia se juntarem sintomas de constipações e gripes, aí vai ser um ‘ai Jesus!’ Prevenir é sempre o melhor remédio, como todos já sabemos. Sempre ouvi um amigo médico dizer: “não se atua na doença, mas na saúde”.

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