Lisboa, galeria a céu aberto

As manifestações de arte urbana têm tido um papel crescente na dinâmica das cidades, enquanto elemento transformador da urbe e da paisagem urbana.

Acompanhando outras metrópoles europeias, como Paris, Barcelona, Berlim ou Londres, Lisboa tem nos últimos anos desenvolvido um trabalho exemplar e impactante, na promoção da arte urbana, atraindo os mais talentosos artistas, nacionais e internacionais.

Uma aposta ganha pela Câmara Municipal, catapultada pela criação de uma estrutura municipal inteiramente dedicada a esta vertente de arte pública, a Galeria de Arte Urbana (GAU), que meritoriamente fixou Lisboa na rota das melhores representações artísticas do mundo. Uma arrojada política municipal desenhada para a democratização e descentralização da arte.

Esta universalidade, que vai desde a origem dos artistas, à localização das obras, às temáticas retratadas, tem contribuído para quebrar fronteiras, abrindo a cidade e aproximando comunidades.

Evidência disso mesmo é o Festival Muro, que não só transporta a arte urbana, enquanto manifestação artística pela inclusão e diversidade, a zonas mais periféricas como ao Bairro Padre Cruz, em Carnide - uma das maiores galerias a céu aberto de arte pública da Europa -, a Marvila e à Alta de Lisboa, mas também pela repercussão pós-festival com impacto direto e indireto nas comunidades onde estão localizadas as obras de arte. O resultado é extraordinário: visitas guiadas, roteiros turísticos e publicações temáticas que permitem descobrir e contactar com outros territórios, fora dos circuitos habituais.

O Muro será recebido, este ano, pelo Parque das Nações, num itinerário de inclusão entre as diferentes realidades de um território, cerzindo a malha urbana desta freguesia.

Num registo mais realista ou imaginativo deparamo-nos com mensagens visuais fortes, personagens exuberantes, formas grandiosas e cores vibrantes que povoam empenas de edifícios, devolutos ou não, muros, logradouros, caixas de eletricidade e até vidrões.

Imponentes e impactantes, abandonam os tradicionais espaços de arte - museus, bibliotecas, galerias - e ocupam o espaço público, levando para a rua o livre acesso à arte, ao alcance de todos.

As histórias que contam, as críticas - sociais, políticas e económicas - que contêm, as técnicas que utilizam são apenas a parte mais visível desta forma de arte. Mas há um outro lado, o da arte urbana enquanto processo coletivo, participado e mobilizador de quem acolhe estas obras. Do início ao fim é sempre agregador das pessoas, atenua tensões relacionais, reforça sentimentos de pertença e laços de vizinhança, estimula a estima pelo património, promove o debate e troca de ideias.

Nascem histórias e valorizam-se diferenças, num contributo de referência para um processo contínuo de transformação e de coesão social.

Lisboa oferece um percurso de arte urbana, efémera, quotidiana e democrática, que cose a cidade e está pronto a ser descoberto por quem assim o desejar.

Presidente do Conselho de Administração da Gebalis//Escreve à quinta-feira

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