Opinião

Opinião. Lisboa pode ser a capital criativa do mundo

O espaço de cowork abriu em dezembro passado.
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Lisboa está numa série de vitórias - e se o governo aproveitar este sucesso, a cidade pode tornar-se uma das capitais criativas do mundo

Antes de me tornar empreendedor, trabalhei com o ex-primeiro-ministro britânico David Cameron durante sete anos, esforçando-me para ajudar a tornar o Reino Unido numa economia mais criativa e inovadora. Para dar um exemplo, criei a iniciativa Tech City, para a criação de um cluster digital global no Leste de Londres, que levou a um aumento de 1400% no número de tecnológicas na área

Como resultado, posso dizer quando uma cidade está a ir na direção certa. E digo-vos, António Costa, Fernando Medina e ministros como João Vasconcelos têm feito tudo certo quando se trata de garantir que o investimento chega a Lisboa.

E é por isso que eu investi mais de 1 milhão de euros para trazer a Second Home de Londres para Lisboa, criando uma incubadora para negócios criativos e empresas como a Volkswagen, no Cais do Sodré. Lisboa está numa série de vitórias – e se o governo aproveitar este sucesso, a cidade tem potencial para se tornar uma das capitais criativas do mundo.

Veja como. Primeiro, continuando a investir nas capacidades digitais. Todas as indústrias estão a ser transformadas pela tecnologia, o que significa que os computer scientists são escassos. Se Lisboa pode treinar mais coders, será uma enorme vantagem sobre cidades como Berlim – e criar emprego em toda a economia. No Reino Unido financiamos novas instituições de ensino para aumentar o número de programadores e facilitar o acesso de universidades internacionais a campus na Grã-Bretanha. Uma estratégia semelhante faria grande diferença aqui.

A segunda é o incentivo às empresas portuguesas a inovarem. É incrível a quantidade de startups existentes na cidade, no entanto, muitas grandes empresas portuguesas estão a deixar de utilizar a tecnologia para se tornarem mais competitivas. Em Londres, empresas como Ernst & Young e Cushman & Wakefield têm equipas de inovação bem sucedidas na Second Home, e estou determinado a levar esta agenda também para Lisboa.

A terceira e última coisa que Lisboa pode fazer para se tornar uma capital criativa é aprender com os erros de Londres. Os sucessivos mayors de Londres não conseguiram construir novas casas suficientes, o que significa que o arrendamento está a subir vertiginosamente e os jovens não podem pagar a vida na cidade. Os políticos britânicos também não conseguiram proteger lojas independentes, pubs e locais de música, o que significa que Londres está em risco de se tornar um lugar mais homogéneo e estéril. É vital que Lisboa evite este destino.
Adoro Lisboa e orgulho-me de estar a investir em Portugal. Se o governo mantiver o financiamento de capacidades digitais, ajudar as grandes empresas a inovar e evitar alguns dos erros de Londres, não há nada que esta grande cidade não possa alcançar.

Lisboa realmente tem potencial para se tornar uma das capitais criativas do mundo. E eu mal posso esperar para ver isso acontecer.
Fundador da Second Home

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