Opinião

Maçã cheia de bichos

Apple

Quando algo corre mal uma vez, é possível que essa seja uma situação única. Quando algo corre mal duas vezes, podemos ter a certeza que haverá uma terceira. E uma quarta, quinta, sexta. Foi isso que a Apple demonstrou na última semana, com uma sequência indesculpável de asneiras em áreas proibitivas: a segurança e a fiabilidade.

As coisas começaram mal quando foi descoberto um problema no login da última versão do sistema operativo para Mac, High Sierra. Num computador com vários utilizadores, bastava escrever “root” como nome de utilizador, deixar o espaço de password em branco e clicar “desbloquear” duas vezes para conseguir acesso imediato. A isto nem se pode chamar piratear. É apenas bater à porta e limpar os pés na carpete vermelha que o dono da casa deixou na entrada.

Dezoito horas depois de revelada a falha, a Apple já tinha uma correção cá fora, pronta a instalar para tapar este buraco embaraçoso. Mas a comunidade de segurança e dos utilizadores Mac elogiaram a rapidez da fabricante cedo demais, porque um par de dias mais tarde descobriu-se que a correção também tinha problemas. Os utilizadores que descarregaram a correção e depois atualizaram o sistema operativo para a última versão (10.13.1) verificaram que o upgrade fez reaparecer a falha “root.” Aparentemente, é necessário reiniciar o computador para que a correção funcione; a Apple esqueceu-se de avisar para isso. Esta dica só foi acrescentada à página que a marca mantém sobre avisos de segurança depois de a Wired publicar um artigo a expor o problema.

A Terrível, Horrível, Nada Boa, Péssima Semana continuou quando múltiplos iPhones e iPads a correrem iOS 11 começaram a reiniciar espontaneamente ou a ir abaixo devido a um problema com notificações geradas após a meia noite e um quarto do dia 2 de dezembro. A Apple acabou por lançar o iOS 11.2 antes do previsto para resolver o problema; e imediatamente a seguir, descobriu-se que esta versão permitia acesso remoto de terceiros a aparelhos inteligentes através do HomeKit (a plataforma da Apple para gerir dispositivos IoT). Em comunicado, a empresa disse que eliminou temporariamente o acesso remoto aos dispositivos e iria restabelecê-lo num update esta semana.

E já passámos pelo facto de o iOS 11.2 ter inutilizado o reconhecimento facial a alguns utilizadores? O pesadelo de bugs não terminou antes de ser reportado que o iOS 11.2 permite também a eliminação do novo serviço Apple Pay Cash, mas não deixa voltar a instalá-lo. Além de sugar a bateria do iPhone muito rapidamente.

Não há software perfeito, e quando a próxima versão do iOS (11.2.1) for lançada, provavelmente antes do final do ano, de certeza que haverá mais bicharada para perseguir. É certo que a Apple já lidou com pragas anteriores, mas esta deixou uma impressão considerável dado o amontoar de erros e precipitações. De onde vem o descuido? Estão a tentar fazer mais em menos tempo? Porquê? A Apple não se tornou uma empresa com milhares de milhões de clientes no mês passado, pelo que não se percebe a decisão de mandar coisas mal acabadas cá para fora.

Estamos num jogo em que a perceção pode ditar tudo. Nenhum consumidor quer ficar com amargos de boca quando compra produtos significativamente mais caros que os da concorrência. A reputação é importante, mas a qualidade real dos dispositivos é que interessa: uma marca não se sustenta com bonecada e emojis 3D. Para a próxima façam melhor.

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