opinião: Joana Petiz

Mais exigentes do que nunca

(Rui Oliveira/Global Imagens)
(Rui Oliveira/Global Imagens)

Centenas de empresas já não vão reabrir, milhares de pessoas vão perder o emprego. E ainda nem chegámos à fase pior.

Menos 39%. Foi o valor da queda das exportações portuguesas em maio, numa altura em que todos os grandes números vão sendo revistos para pintar um retrato ainda mais carregado do momento que o país vive. Na indústria automóvel, já se perdeu um investimento de 300 milhões que estava previsto para Estarreja. Outros se seguirão – por enquanto devido à alteração de planos que a covid impõe, mas seguramente em breve também pelo tratamento que o Estado português dá aos investidores que procuram o país: impostos altos e em constante mutação, burocracia às pazadas, até a ocasional nacionalização (assumida, como no caso da Efacec, ou disfarçada, como aconteceu com a TAP).

Estamos a viver uma “crise brutal”, diz o Presidente Marcelo, e tem razão para se preocupar. Pelo lado da indústria e da transformação que temos de estar preparados para empreender, mas também pelo que nos tem sustentado: o turismo.

Brutalmente dependente deste setor e das atividades a ele ligadas, Portugal está a sofrer mais do que a maioria dos parceiros europeus nesta crise e termos ficado de fora da lista de países seguros para as férias piora ainda mais as perspetivas de recuperação. O critério é igual para todos e nós não o cumprimos, é um facto. Mas não deixa de ser desanimador que se rebente com a esperança que começava a surgir. São 40% das receitas turísticas perdidas com a inclusão de Portugal na lista negra de 11 países, 7 mil milhões de euros que se esfumam e afetam os planos de recuperação. Que é como dizer que centenas de empresas já não vão reabrir, milhares de pessoas vão perder o emprego. E ainda nem chegámos à fase pior.

Depois do verão e conforme vão terminando moratórias, lay-offs e afins, aí sim, vai ser cair a pique. Esta queda, porém, tem algo mais animador do que outras: a possibilidade de recuperação é mais limpa e rápida, assim os apoios que se desenham cheguem e depressa a quem deles precisa. Essa é a hora em que temos de ser mais exigentes do que nunca com quem tem a bolsa na mão.

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