Mais que salvar o Natal, é imperativo salvar o futuro da juventude

Os orçamentos municipais e do Estado ganham forma e discutem-se fervorosamente nas assembleias próprias, repletos de medidas extraordinárias face às incertezas atuais. Hoje temos a vantagem de sabermos que a pandemia é real e podemo-nos precaver, agindo por antecipação, "desejando o melhor, mas esperando o pior".

A sociedade foi atacada por um golpe inesperado que expôs fragilidades crónicas, agudizando-as, e despoletou novos problemas que comprometem o futuro coletivo. É inequívoco que a crise sanitária, social e económica atravessa todos os setores e faixas etárias. Todavia, as anteriores crises já nos demonstraram que as dificuldades são sempre mais penosas para as jovens gerações, que regressam demasiadas vezes à casa de partida.

A emergência social com que nos confrontamos, requer medidas que se traduzam em políticas plasmadas nos orçamentos, enquanto ferramentas de combate aos problemas de sempre, aos novos e aos que estão por vir. É, por isso, imperativo que as muitas preocupações e a solidariedade para com aqueles que vivem momentos mais intempestivos, se efetivem em vontades expressas em políticas ativas. É isto que a minha geração espera do Governo e das Autarquias.

Não estamos de mão estendida, nunca estivemos, mas são necessárias medidas que garantam o igual acesso dos jovens aos seus direitos. Assim, entendo que mais importante do que salvar o Natal, é urgente salvar o futuro desta geração. O Natal é daqui a uns dias e para quem sobreviveu a um ano sem a comemoração de muitas efemérides, esta é apenas mais uma, apesar de, porventura, das mais simbólicas. Mas esta geração tem anos pela frente e esperamos, por via da justiça intergeracional, que sejam anos de uma vida digna e não de um futuro prometido constantemente adiado. Podemos por isso abdicar de um Natal, mas nunca do futuro de uma geração!

Este é o momento de agir. É o momento para reforçarmos um plano de sociedade que permita realizar o imenso potencial jovem e o projeto de vida de cada um. É o momento de os governantes provarem que as palavras de conforto, incentivo e futuro, se podem traduzir em rubricas específicas para a capacitação e empoderamento dos jovens e apoio às suas organizações. É o momento para se proteger as gerações mais novas da segunda crise das suas vidas. Nesse sentido, é fundamental que na relação de confiança que se cria entre o Estado e os jovens, haja uma mão cheia de ideias e intenções, mas também, outra mão cheia de ações.

Sendo as políticas de juventude transversais a todas as áreas da governação, é premente que se reforcem as políticas de participação, educação, emprego, habitação, natalidade e mobilidade jovem, enquanto eixos fundamentais para a emancipação da juventude. A sua ativação para transformar o mundo, num contexto de rápida mudança, é igualmente importante.

Neste sentido, exigem-se planos a longo prazo, que nos orientem para uma sociedade mais igualitária ao nível das oportunidades, na qual emerja uma economia de impacto social. Porém, no momento disruptivo que vivemos devido à covid-19, é imperativo que haja mecanismos de proteção às jovens gerações, mitigando o impacto socioeconómico. Assim, prever nos orçamentos de Estado e municipais um Fundo de Emergência para a Emancipação Condigna da Juventude e um Fundo Incentivo à Participação, Talento e Associativismo Jovem, é crucial.

O reforço e o incentivo à participação, à iniciativa, ao empreendedorismo e ao associativismo jovem requer medidas a curto prazo nos orçamentos, a nível nacional e municipal, que passem pela criação de um plano de apoio, estímulo e motivação à atividade associativa e ao voluntariado; pela aplicação de um Simplex que facilite a relação dos jovens e das suas organizações com as instituições governamentais, gerador de uma comunicação eficaz, da desburocratização de processos e do uso eficiente das plataformas digitais - por meio de balcões jovens, casas de juventude, portais e aplicações digitais; e por último por medidas de reforço da saúde mental nos jovens, de combate ao cyberbullying, à depressão e ao estigma associado a doenças do foro psicológico, agravados neste contexto pandémico, com respostas que devem passar por mais psicólogos nas escolas e organizações juvenis, debates e campanhas para o aumento da literacia em saúde mental junto dos jovens, prevenindo o isolamento social e a solidão dos obreiros do amanhã.

Por um futuro digno para a minha geração, desafio aqueles que neste momento podem fazer a diferença. Se o Estado Central e Local se querem afirmar como amigos da Juventude, então que os seus orçamentos para 2021 incluam verbas destinadas à participação, capacitação e emancipação jovem. Acredito que através de políticas locais de juventude complementares às nacionais, o futuro dos jovens é assegurado e a sua intervenção social estimulada, comprometendo-os com o nosso projeto maior, a democracia.

*Presidente da Federação Nacional de Associações Juvenis

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