Opinião

Mais reformas, precisam-se!

O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

As reformas estruturais são uma espécie de doença crónica do país. Estão lá, presentes durante toda a vida, e nunca se tratam verdadeiramente.

As reformas estruturais são uma espécie de doença crónica do país. Estão lá, presentes durante toda a vida, e nunca se tratam verdadeiramente. Apesar do muito que já foi feito em Portugal desde o 25 de abril de 1974, são ainda várias as transformações a realizar.

Segundo o Banco Central Europeu (BCE), Portugal melhorou no ranking das reformas estruturais, mas o mesmo BCE faz questão de dizer que não foi ainda suficiente e que “desequilíbrios persistentes deixam países vulneráveis a choques adversos e aumentam a probabilidade de recessões”.
Nesse mesmo ranking, Portugal sobe um pouco na classificação, embora a nota final continue a dar o equivalente a um “satisfaz pouco”. E, numa altura em que a economia começa a desacelerar, as reformas ganham ainda maior urgência.

O estudo sublinha a preocupação com os níveis da dívida pública e da privada, que são historicamente elevados em Portugal e noutros Estados-membros, “o que torna mais difícil fazer face a um abrandamento ou a choques negativos” caso eles surjam.

Os alertas não se ficam por aqui e chegam também às áreas das pensões, da saúde e até aos níveis de concorrência existentes em Portugal. O mesmo documento evidencia que o nosso país demonstra “progressos limitados” na sustentabilidade de longo prazo das pensões, das finanças públicas e dos cuidados de saúde. E aponta o dedo a mais um tema: Portugal “não fez progressos” no quadro regulatório, nas questões da concorrência, por exemplo no setor dos serviços. Mais um puxão de orelhas aos reguladores, que têm responsabilidade nesta matéria.

Tal como acontece com os alunos do ensino secundário, obter uma nota de “satisfaz pouco” não dá garantias para o futuro. E todos os partidos sabem bem disso. Numa altura em que se aproximam atos eleitorais – as eleições europeias são já a 26 de maio e as legislativas estão marcadas para 6 de outubro -, é importante que todas as cores políticas tomem boa nota destas mensagens do BCE e se comprometam com as tão necessárias reformas estruturais.

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