Mais salário mínimo, em plena crise?

As empresas estão descapitalizadas, desfalcadas, muitas delas sentem-se de mãos e pés atados com o mercado interno e externo em agonia.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou esta semana perante o Parlamento Europeu, em Bruxelas, que vai propor em breve um quadro legal com vista a garantir um salário mínimo para todos os cidadãos na Europa. Defende que todos devem ter acesso a salários mínimos, quer através de acordos coletivos, quer através de rendimentos mínimos estabelecidos.

A antiga ministra do Trabalho alemã, no seu primeiro discurso sobre o Estado da União enquanto presidente do executivo comunitário, não conseguiu agradar a gregos e a troianos. Com a economia europeia debilitada como já está, os empresários e gestores receiam que esta ambição possa por em causa a viabilidade de muitas empresas.

Von der Leyen defende que, enquanto a pandemia da covid-19 não abrandar e a incerteza se mantiver, na Europa e à escala global, devem ser mantidos os estímulos à economia. A presidente da Comissão sublinhou o impacto decisivo que tiveram as redes de segurança estabelecidas para proteger empresas e trabalhadores da crise sem precedentes provocada pela pandemia, que, reforçou, ainda não foi vencida. Para a líder é necessário garantir a sustentabilidade orçamental em paralelo com os apoios às empresas e trabalhadores.

Por cá, o governo mantém a meta dos 750 euros para o salário mínimo em 2023. Mas daqui até lá são tantos os imponderáveis, por consequência da pandemia, que prometer hoje tal valor, para daqui três anos, é autêntica futurologia. As empresas estão descapitalizadas, desfalcadas, muitas delas sentem-se de mãos e pés atados com o mercado interno e externo em agonia.

Todos os trabalhadores querem auferir um melhor salário, é legítimo. Resta saber se os patrões vão ter condições e sustentabilidade financeira para os pagar. Depois de terminado o período de carência do regime de lay off simplificado (sem despedimentos), à medida que o outono se aproxima aumentam os receios de despedimentos em massa. Será este o momento para aumentar o salário mínimo? Não me parece.

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