Mais uma vez…

Mais uma vez, a Europa mostra a sua enorme fragilidade, face à excessiva dependência de países terceiros em matérias-primas essenciais. Desta vez, energéticas, onde a Rússia é origem do fornecimento à Europa de 40% do gás natural.

Mais uma vez, agora em consequência da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, as empresas confrontam-se com uma subida em flecha nos custos de produção, que rapidamente se repercutirão no preço final dos bens. Já está a acontecer, face à impossibilidade de absorver na sua margem de negócio a escalada dos custos das matérias-primas, energéticas e não energéticas. O preço do petróleo atingia a meio desta semana cerca de 120 dólares por barril, 77% acima do valor inscrito na proposta do Orçamento do Estado para 2022 (entretanto chumbada).

Mais uma vez, a par do aumento explosivo dos custos operacionais, as empresas terão de contar com um agravamento dos custos financeiros, face à perspetiva de aumento das taxas de juro, o que num país endividado como o nosso tem sérias consequências. Neste âmbito, é importante lembrar que nesta altura é exigido às empresas portuguesas um esforço acrescido de liquidez, associado ao pagamento das moratórias financeiras e fiscais. É, também, importante lembrar que Portugal apoiou diretamente a economia sobretudo através da modalidade de empréstimos, em vez das subvenções a fundo perdido, pelo que o aumento do endividamento terá um impacto amplificado com o aumento das taxas de juro.

Mais uma vez, as empresas enfrentam um contexto internacional adverso e incerto, com as perspetivas económicas a acentuarem riscos descendentes, que minam a confiança dos agentes económicos.

Mais uma vez, é desencadeada uma onda de solidariedade, agora para com o povo ucraniano. Cidadãos, empresas e instituições, onde se inclui a AEP, voltam a demonstrar o elevado espírito solidário. As políticas públicas são igualmente muito relevantes. O acolhimento de refugiados, além de razões humanitárias, ajudará a suprir necessidades do mercado de trabalho e o défice crescente de população ativa. Por isso, é de saudar todas as medidas efetivas e decisivas que facilitem a integração de imigrantes e refugiados, com realce para a redução da elevada carga burocrática e o ágil reconhecimento de competências, complementado pela formação necessária a uma melhor inserção nas empresas, onde as associações empresariais poderão desempenhar um importante papel.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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