Opinião

Marca Portugal, para que te quero!

Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens

Criada pela deusa da sabedoria, a árvore da paz e da longevidade – a oliveira – produz o fruto a partir do qual se faz um sumo sagrado, que purifica o homem desde os tempos mais remotos. O azeite, alimento e medicamento, perfume e combustível, picante e inspirador, em tempos abandonado e agora emergente, é uma das mais preciosas marcas do nosso Portugal Genial.

Contudo, a realidade é que espanhóis vêm a Portugal comprar azeite português a granel para colocar no mercado internacional com rótulos italianos. Esta prática representa um mercado de vasos “descomunicantes” que valorizam o nosso ouro líquido, a favor das economias dos outros.

Este é talvez o mais evidente exemplo da fragilidade das nossas marcas comerciais e o mais lesivo para o balanço e contas da nossa marca de Portugal.

Um litro de azeite extraordinário português, com um rótulo português vale 4 euros; um litro de azeite extraordinário português, com um rótulo espanhol vale 8 euros; o mesmo litro de azeite extraordinário português, com um rótulo italiano vale 16 euros.

O azeite italiano é considerado o melhor do mundo mas, em blind test, o azeite português é avaliado com a mesma qualidade, podendo, no entanto, valer até dez vezes menos, o que no ato da compra, pré-condiciona e distorce a perceção qualitativa do consumidor, face aos dois produtos.

Mas esta situação não acontece por acaso. Os italianos “mimam” os seus azeites à mais de um século. O seu markup começa na população que, desde logo, trata o azeite italiano como um produto premium, passando pela abordagem global do processo, onde impera uma forte componente de marketing, que assegura o elevadíssimo nível de qualidade do design dos rótulos e garrafas.

Por muito que nos custe, a qualidade intrínseca dos nossos produtos não é suficiente. Nós sabemos que o nosso azeite é extraordinário, mas o mundo não sabe e, por essa razão, desvaloriza a origem que desconhece.

É neste ponto que importa a marca de um país. Como já tantas vezes disse, não se trata apenas de orgulho nacional, mas do valor acrescentado que essa marca traz a cada produto que no seu todo constitui a economia.

Temos de nos concentrar em valorizar as nossas riquezas aos olhos do mundo, aproveitando a energia de uma geração de portugueses que está empenhada em fazer de Portugal uma marca muito valiosa.
Presidente da Ivity Brand Corp e da Associação Portugal Genial

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