Medidas "casual strict" para salvar o Natal

Estamos muito melhor do que há um ano, estamos muito melhor do que os outros países, graças ao sucesso da vacinação - leia-se, aos esforços conduzidos por Gouveia e Melo, desde que a ministra da Saúde largou os comandos da operação. Os casos estão a subir mas é natural, será assim todos os invernos, dizem os especialistas, concluindo que a covid está já em situação endémica (não pandémica). Casos graves e mortes são poucos relativamente ao número de contágios - subiram os óbitos, sim: pelo documento do governo que suporta as medidas, de 9 para 15...

Atitude lógica a tomar? Medidas, por favor, vamos tomar medidas, que já não sabemos viver sem elas. Mas como não queremos tomar medidas - mas devemos tomá-las para dar o sinal a quem as exige, mesmo não sendo necessárias -, vamos tomá-las em modo casual strict. Assim podia ter falado António Costa.

Resumindo. Fazemos voltar o Estado de Calamidade, mas só daqui a uma semana. Podemos continuar a ir a bares, discotecas, concertos e jogos, mas o certificado de vacinação não vale; tem de levar teste negativo fresquinho. Já se for a uma casa de fados e vir o futebol no restaurante, pode lambuzar-se à vontade que o certificado chega e sobra. E nem tem de ser o seu - mesmo nos sítios que fazem a leitura digital, poucos são os que pedem identificação a acompanhar.

Porque o Natal e o Ano Novo estão à porta, não fechamos fronteiras nem espaços onde possa ir divertir-se com família e amigos - vá, aproveite e gaste dinheiro, que a economia precisa de si. Mas vamos ser implacáveis nas fronteiras. Não entra ninguém sem teste - e ai das companhias aéreas que o permitam, que as multas vão ser a doer. Mas os emigrantes que fiquem descansados: se vierem de carro (ou de comboio ou de camioneta), enfim, não há muito como fiscalizar, não é... Isto assumindo que desta vez haverá controlo regular nos aeroportos, o que qualquer pessoa que tenha viajado nestes dois anos pode garantir que não aconteceu.

Depois da ramboia do fim de ano, só para garantir que não há dramas, fecha-se o país em casa uma semana, para dar tempo ao vírus de se manifestar. E trancas às discotecas, claro - quer dançar? Dance até dia 1 ou adie o programa para 10 de janeiro. E se ter as crianças de férias mais uma semana ia ser um problema para os pais, resolve-se à partida: teletrabalho obrigatório para todos até dia 9 e o governo até paga a quem tem de tomar conta dos miúdos. É um preço barato a pagar para poder gozar as festas.

Podia ser pior? Podia, infelizmente pode sempre. Mas essa constatação é fraco consolo. Até porque o país não aguentaria novo embate frontal - e António Costa bem o sabe. No meio de todo o nonsense - só engolido por quem vive bem à sombra de decretos estatais que lhe retirem responsabilidade e dirijam as ações -, safa-se a racionalidade de obrigar a teste quem estiver em contacto com os mais frágeis, seja no hospital seja nos lares. Que se alargue a regra a quem deles cuida, que com esses sim, é preciso ter cautelas redobradas. De resto, segue o circo.

SOBE
Carlos Oliveira, presidente Executivo da FJN


A Fundação José Neves já atribuiu 178 bolsas reembolsáveis desde setembro de 2020, num valor superior a 1,2 milhões de euros. E há mais 1028 vagas disponíveis em 13 universidades e politécnicos no país inteiro para bolsas de mestrado, cursos técnicos superiores profissionais, de especialização e pós-graduações, promovidas pela fundação. Um trabalho que é um exemplo a vários níveis, incluindo o esforço e empenho no desígnio da formação e conversão de profissionais, mas também o princípio de restituição - as bolsas são reembolsadas se e quando o estudante tiver condições para isso. O que não só puxa pela responsabilização dos candidatos como permite renovar constantemente o apoio à formação de novos profissionais que queiram ganhar competências diversificadas.

DESCE
Marta Temido, ministra da Saúde


Disse a ministra sobre os médicos: "É bom que pensemos nas expectativas e na seleção destes profissionais, porque porventura outros aspetos, como a resiliência, são tão importantes como a competência técnica." E veio depois, à beira do choro, pedir desculpa pelo "mal entendido" que revoltou os médicos - que aparentemente não queria ofender. Não há margem para interpretações. Nem nas palavras de Temido, nem na sua incapacidade de gerir a área que tutela, como se tem visto sempre que dela depende a gestão. Como se tem visto na insatisfação e frustração expressas por cada vez mais profissionais de saúde. Como se tem visto pela degradação da qualidade dos serviços. Como se tem visto pela incapacidade de replicar bons exemplos e de recuperar o tempo perdido nas restantes - e muitas delas graves - doenças enquanto se esteve apenas a olhar para a covid. Como se tem visto pelas demissões sucessivas e em bloco das direções dos maiores hospitais do país. E que o PS saia em defesa de Temido - considerando "abusivas, desonestas e inaceitáveis" as críticas à ministra - é a cereja do desrespeito à classe no topo do bolo da falta de noção.

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