Opinião: Rosália Amorim

Medidas do governo. Grandes empresas e famílias ainda fora do pacote

D.R Unsplash
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"A flexibilidade será totalmente utilizada", diz Mário Centeno.

As medidas que o governo lançou esta manhã para estimular a economia são importantes, eram há muito desejadas. Os empresários, de norte a sul ficaram colados aos ecrãs de televisão para ouvir a conferência que arrancou pelas 8.30h e para tomar nota de medida a medida.

Mário Centeno, ministro das Finanças, reapareceu e bem. Pedro Siza Vieira, ministro de Estado e da Economia manteve-se ao leme, dando a cara num momento crítico e poupando o primeiro-ministro, que estará já a fazer os planos A e B caso o Estado de Emergência seja decretado hoje.

Voltando às medidas do governo para colocar sangue a correr nas veias da economia, “a flexibilidade será totalmente utilizada”, disse Mário Centeno, confirmando que as Finanças estão cá para ajudar e não só para cobrar e cativar. É hora de trabalhar em equipa. A conferência a duas vozes evidenciou isso mesmo. Centeno disse também que “não Europa há um sentido de urgência, responsabilidade e partilha que, em tantos anos, ainda não tinha observado”. Tudo boas notícias.

O pacote de medidas é mais do que oportuno, parece bem estruturado. Há 3 mil milhões, cerca de 1,4% do PIB, em crédito garantido pelo Estado, com pagamento diferido, para áreas mais frágeis como o turismo a restauração e a indústria. O problema é que estes fundos, distribuídos às empresas via banca, são destinados para já apenas a micro, pequenas e médias empresas.

Onde estão contempladas as grandes empresas? Perguntam os empresários e que são grandes empregadores deste país. Exemplos: Corticeira Amorim, TMG Automotive, Auto Europa e tantas outras. As grandes estão a sofrer tanto quanto as mais pequenas e se libertarem milhares de trabalhadores para o desemprego o impacto social será uma espécie de nova pandemia. As grandes companhias não estão contempladas no pacote das novas medidas, que, tal como o governo já assumiu, será revisto à medida da evolução da situação.

Para já, apenas estão abrangidas pelas linhas de crédito as empresas com até 3 mil trabalhadores, mas as grandes empresas, ou seja com mais de 3 mil trabalhadores, estão excluídas.

Neste pacote faltam também medidas concretas para as famílias. As prestações de crédito à habitação poderão vir a precisar também de uma moratória, face à enorme crise que aí vem. As famílias ficarão com menos rendimentos, as empresas poderão ter dificuldades em pagar os salários, e de um dia para o outro, o mal parado cresce. Antes que isso aconteça, e deixe as famílias e a banca à beira de um ataque de nervos, é preferível atuar já.

Em suma, as medidas terão de ir mais longe. Será inevitável, se a Europa quer fazer tudo o que é possível, estas ajudas ainda não chegam.

* Atualizado às 11.25h.

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