Mercado financeiro vs. imobiliário no pós-pandemia

Rentabilidade vs. Estabilidade: este é o antagonismo que muitos investidores vivem à escala global. A procura por um retorno rápido e que permita um crescimento de riqueza exponencial é o principal fator motivacional de muitos investidores no mercado financeiro. Quem procura estabilidade, com uma rentabilidade mais conservadora mas consistente, investe em imobiliário.

Os mercados financeiros tiveram, na sua generalidade, um crescimento substancial nos últimos anos. Tal permitiu acumular riqueza ou pelo menos a perceção de tal, já que no mercado financeiro a rentabilidade só é efetivamente gerada com a venda de ações ou participações que o investidor detém. Porém, por norma, o investidor tem resistência a converter os investimentos em capital: ou acredita que ainda vão valorizar mais, que algum ajuste ou correção no mercado financeiro é temporário e que rapidamente vai voltar a valorizar, ou simplesmente não quer aceitar a perda.

Está comprovado historicamente que o investimento imobiliário é um investimento mais seguro, com valorizações constantes a longo prazo e com retornos moderados, mas consistentes. Quem detém um imóvel por um espaço temporal mais alargado na generalidade terá uma valorização do mesmo, seja por mera inflação, seja por crescimento do valor de mercado. A rentabilidade depende do tipo de imóvel e da afetação que o investidor faça do mesmo.

Nos mercados financeiros, o problema são eventos como o que vivemos hoje, de uma pandemia que assola o mundo inteiro. Com repercussões enormes nas economias de vários países reduzidas a serviços mínimos, os valores dos mercados financeiros ajustaram de uma forma vertiginosa em baixa. Ou seja, toda a perceção de riqueza gerada ao longo de vários anos, neste momento desapareceu.

Cenário idêntico foi vivido em finais de 2008. Ainda que por razões diferentes, os mercados financeiros entraram em queda e alguns dos investimentos feitos esfumaram-se e resultaram na perca do capital investido. Já no caso do mercado imobiliário, apesar de ter sofrido desvalorização com essa mesma crise, os imóveis continuavam a existir, tinham valor e somente quem foi obrigado a vender é que potencialmente teve perda financeira. Os investidores que mantiveram o seu portefólio intacto, não só continuaram a ter rentabilidades, como ao longo dos anos, com a valorização do imobiliário, registaram um crescimento substancial do valor das suas propriedades.

Assim, quando chegarmos à fase de pós-pandemia, acredito que muitos investidores vão voltar a investir no imobiliário. Trata-se de um ativo físico, que não desaparece, que acumula valor e produz rentabilidade. Além disso, com as taxas de juros tão baixas disponíveis nos mercados financeiros, o investimento no imobiliário proporciona mais segurança nos mercados de hoje. No entanto, quem procura investir no imobiliário que o faça numa perfectiva de investimento a longo prazo, pois a grande valorização reside no longo termo.

*Diretor de Real Estate do grupo United Investments Portugal

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