Metaverso

A prova do atraso tecnológico do nosso país pode ser encontrada na ausência de palavras no português de Portugal para os novos termos gerados pelo desenvolvimento científico e humano que se vai realizando em terras mais ou menos próximas mas que, em termos de conhecimento, distam décadas.

Assim num primeiro momento usamos a palavra na língua estrangeira e, só depois, a tentamos traduzir ou aportuguesar. Ainda hoje, quando nos referimos a uma página na "internet" usamos a palavra inglesa "site" em vez da palavra portuguesa sítio que soa estranha e pouco ajustada à realidade que queremos designar. Também ainda não conseguimos traduzir a palavra "internet" convenientemente. Muitos outros exemplos poderiam ser dados em todas as áreas do saber, da tecnologia, das ciências e da gestão. Para aceder aos conceitos mais avançados não há, muitas vezes, alternativa tem ser usada uma expressão estrangeira.

A palavra Metaverse, que em português se introduziu como metaverso, é uma aglutinação de duas palavras: o prefixo Meta e Universo. O sufixo meta significa "para lá de" e exprime a noção de transcender algo. Assim metaverso pretende expressa a ideia de "para lá do universo".

Na verdade o metaverso procura vir a ser a tecnologia para lá da internet, criando uma emersão numa realidade virtual em três dimensões. Como tecnologia ainda na infância atrai muitos investidores que procuram melhorá-la e adaptá-la a diferentes usos.

Um dos usos que parece mais promissor neste momento é o de suporte ao trabalho remoto. O trabalho remoto tem enormes vantagens em termos de custos para as empresas e de liberdade de movimentos e de tempo para os trabalhadores. Tem no entanto uma desvantagem notória: a ausência de interação pessoal. O trabalho remoto com o apoio da tecnologia metaverso, pode recriar um local de trabalho virtual a três dimensões em que os trabalhadores, através dos seus avatares, possam estar reunidos e interagir como num dia normal de trabalho. Ganharemos, então, simultaneamente os benefícios da distância e da proximidade. Um pulo na competitividade.

As tecnologias metaverso estão a atrair as grandes empresas tecnológicas, mas também as pequenas e médias empresas inovadoras. O investimento fui para esta área que hoje substitui o que já foi o mercado dinâmico das biotecnologias ou das tecnologias em redor da primeira geração da internet.

Portugal, como sempre, assiste à distância a estes desenvolvimentos. De tão longe que nem a palavra entrou ainda nas mentes dos nossos empresários e investidores.

A língua funciona como um canário na mina que quando deixa de cantar é porque qualquer coisa está mal. O português deixa agora o inglês cantar e vai-se calando devagarinho. Triste sinal dos tempos.

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