Mobilidade elétrica: estará a rede a crescer ao ritmo desejado?

A rede pública de postos de carregamento de carros elétricos no nosso país está a crescer exponencialmente, acompanhando a forte adoção deste tipo de veículos por parte dos consumidores portugueses, que só em 2020 constatou um crescimento substancial, e se prevê que seja uma tendência que continue a aumentar.

Face a este crescimento, vemos que existe uma preocupação constante por parte dos operadores em aumentar a rede de carregamento, incluindo os distritos que se encontram no interior do país, facilitando assim a progressão da mobilidade elétrica e tornando-a acessível a todas as pessoas. E este é, de facto, um grande e positivo esforço, pois é muito importante que a rede possa continuar a crescer para também proporcionar cada vez mais conveniência e comodidade aos utilizadores de veículos elétricos.

No entanto, apesar de contarmos com uma rede em franco crescimento, existe, na minha opinião, uma operação que se encontra ainda muito manual, não permitindo obter um modelo escalável e eficiente. A verdade é que o futuro da mobilidade elétrica está mais próximo do que imaginamos e, muitas empresas nacionais e internacionais já estão a trabalhar ativamente nesse sentido. Mas, enquanto não existir um cuidado irrepreensível por parte dos operadores em automatizar as operações, resolver problemas remotamente e investir em software que detete antecipadamente os problemas que surgem, a rede não apresentará a confiabilidade necessária para que um utilizador de veículo elétrico não tenha absolutamente nenhuma preocupação enquanto viaja e, sobretudo quando se tratam de deslocações maiores e que exigem um maior planeamento da rota de carregamentos.

É muito importante que os postos já instalados não sejam negligenciados, pois é fundamental que as anomalias sejam detetadas antes que os próprios utilizadores as reportem ou, não sendo possível, que possam ser reparadas em tempo útil, permitindo que o utilizador carregue o seu veículo e siga a sua viagem com o menor impacto possível.

Sendo a operação um ponto que, sem dúvida, precisa de ser melhorado, também devemos compreender que os operadores enfrentam algumas dificuldades. Por exemplo, em Portugal existem mais de 570 postos de carregamento rápidos instalados em todo o país, mas apenas 68% estão efetivamente ligados. Este é um dado preocupante apesar de todo o esforço que tem sido feito por parte dos operadores, a burocracia associada ao tempo de ligação dos postos tem-se revelado muito morosa, o que impede os operadores de começarem a gerar receita no tempo desejado, atrasando assim o retorno do investimento que é feito. O desfasamento entre o investimento e o retorno pode afetar a capacidade de investimento na automatização da operação, impactando a qualidade do serviço no consumidor final.

Para o utilizador de um veículo elétrico, deparar-se com um posto de carregamento que não funcione poderá trazer muitos transtornos e encargos financeiros extra, numa rede de postos de carregamento que é muito reduzida em várias zonas do país, nem sempre o cuidado de planear a rota com antecedência é suficiente para não sofrer imprevistos.

Reforço que é de enaltecer todo o esforço que tem sido feito para que a rede cresça e possa dar resposta ao crescimento na adoção de carros elétricos em Portugal, mas existe espaço para se melhorar. É urgente que se dê o passo seguinte, para que os benefícios da mobilidade elétrica possam cada vez mais ser acessíveis a todos os portugueses.

Daniela Simões, cofundadora da Miio

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