Opinião

Mudanças de comportamento como aceleradores de ganhos tecnológicos

(DR)
(DR)

O setor da saúde é um dos setores com maior exposição à evolução tecnológica. Existem cada vez mais apps, wearables, equipamentos e tecnologias que ajudam não só o paciente a monitorizar-se como promovem comportamentos saudáveis. A utilização dos dados de saúde e a análise dos mesmos com a ajuda de inteligência artificial melhoram a precisão do diagnóstico. Também o recurso à telemedicina no acompanhamento de doentes crónicos, mas também em patologias agudas de áreas específicas, como a dermatologia entre outras, é uma forma de potenciar uma monitorização dos pacientes com custos mais reduzidos, evitando deslocações desnecessárias, e promovendo tratamentos atempados, diminuindo assim a probabilidade de complicações que levarão a um aumento de carga de doença.

A implementação de soluções tecnológicas é um passo fundamental na otimização dos sistemas de saúde, no entanto, não elimina nem corrige de uma forma global as variações existentes ao nível dos comportamentos dos diversos intervenientes no sistema.

Os ganhos decorrentes da utilização da tecnologia são necessários, mas não suficientes, na promoção da sustentabilidade do mesmo, o qual precisa de uma alteração disruptiva de comportamentos, para que seja possível tirar o maior proveito da tecnologia e do potencial da mesma na prevenção, na monitorização e no tratamento.

É necessário que o paciente esteja informado e saiba como usar os recursos à sua disposição para manter padrões de vida saudáveis e monitorizar alterações de níveis de saúde. É necessário que os diversos intervenientes, sejam eles pacientes, profissionais de saúde, governo ou sociedade, tenham uma cultura de combate ao desperdício tanto ao nível da eliminação de custos desnecessários, como na utilização eficiente de recursos e na definição de protocolos e terapêuticas eficientes e eficazes. Para tal, alterar formas de remuneração de profissionais e instituições, incentivar a partilha de ganhos e promover e premiar as melhores práticas, poderão ser algumas formas de se incentivar a mudança de comportamento.

É essencial envolver os profissionais de saúde e mobilizar cada um dos intervenientes no sentido de promover uma cultura de melhoria continua e otimização dos recursos. O recurso a programas de transformação e de mudança realizados de forma estruturada e adequada poderão ser uma forma de garantir que cada organização esteja alinhada com os objetivos a atingir e com os impactos e resultados desejados e resultantes da alteração de comportamentos e consequentes alterações nos métodos de trabalho.

Em suma, para além dos desafios tecnológicos que marcam as principais tendências do setor, existe também o desafio de se conseguirem criar os incentivos e mecanismos certos que levem a mudanças de comportamentos que impulsionem e potenciem os restantes ganhos.

Francisca Neves, EY

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Frederico Varandas, presidente do Sporting.

(Filipe Amorim / Global Imagens)

Sporting vende créditos de contrato com a NOS por 65 milhões

Frederico Varandas, presidente do Sporting.

(Filipe Amorim / Global Imagens)

Sporting vende créditos de contrato com a NOS por 65 milhões

Cerimónia da assinatura da venda do Novo Banco à Lone Star, no Banco de Portugal. Luis Máximo dos Santos, Donald Quintin e Carlos Costa.

( Filipe Amorim / Global Imagens )

Máximo dos Santos: “Venda do Novo Banco evitou sério prejuízo”

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Mudanças de comportamento como aceleradores de ganhos tecnológicos