Mudar de rumo

A luta económica dos trabalhadores em Portugal e o movimento
sindical, que é suposto conduzi-la, recuam a olhos vistos. Está nos
livros: a ressaca da bebedeira cíclica de expansão descontrolada,
desta feita, do subprime, paga-se com o empobrecimento absoluto dos
não detentores de capital, que constituem a esmagadora maioria da
população. Sempre foi e sempre será assim, enquanto o capitalismo
mantiver o funcionamento essencial, por mais que cada crise apresente
a sua narrativa própria.

As unidades obsoletas, e as mais vulneráveis ao racionamento do
crédito, são levadas pela enxurrada da recessão e, com elas, os
empregos às centenas de milhar. É o que está a acontecer,
aceleradamente, nos últimos cinco meses, e é imparável. As
análises do ciclo económico vão apontando que estamos à beira da
progressiva desaceleração da queda do produto e do emprego, até
atingir o ponto de viragem no fim deste ano. Se o choque da presente
crise cíclica, o maior desde 1974, deixa o cortejo de destruição
empresarial e de encolhimento das redes sociais em favor dos mais
necessitados e vulneráveis, as apostas estratégicas contraditórias
das duas centrais sindicais enfraquecem a defesa consequente e
efetiva do valor do fator trabalho.

Só concertação, para minimizar o recuo e manter regras
operativas dos trabalhadores nas empresas onde trabalham, em prol da
produtividade, do emprego e de uma mais justa repartição de
rendimentos, não levará a nada, sem a capacidade de mobilização
efetiva dos coletivos produtivos. Apostar só na contestação às
novas relações laborais dá naquilo que se vê: o isolamento de uma
minoria vanguardista sem qualquer resultado ou proveito.

O que o país produtivo precisa – contra a vontade de milhares de
empregadores, que não o querem admitir e aceitar – é de mais
contributos dos empregados na vida das suas empresas, baseados numa
relação mais aberta e leal entre administrações e comissões de
trabalhadores. Os exemplos positivos deste modelo, dir-se-ia de
cogestão, têm dado excelentes resultados neste país, como em
outros. Capacitação, informação, responsabilização e
remuneração adequadas são as forças que produzem altos
desempenhos e expansão sustentada de produções. CGTP e UGT têm de
potenciar a sua intervenção neste terreno. E o Governo devia ser o
primeiro a incentivar e divulgar este modelo de progresso e sucesso,
empenhado que se diz em aumentar, e muito, o potencial produtivo da
economia portuguesa.

Redator principal

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