Mudar o mundo

A opinião de João Adelino Faria

A chegada de um bébé muda tudo. Começar este ano com um recém-nascido nos braços é uma alegria impossível de descrever, apenas se pode sentir. O mundo pára e temos de fazer um restart da nossa vida. Olhar para este novo ser é como ver o futuro, mas ao mesmo tempo interrogar-nos sobre como será a sua geração.

Os que nasceram alguns anos antes dele já começaram o esculpir o novo caminho geracional. Não conhecem um mundo sem internet, sem ligações planetárias nem redes sociais. A maioria não gosta de esperar pela informação. São muito impacientes. Fazem várias tarefas ao mesmo tempo e têm terror de perder o que é novo ou o que todos falam e comentam. Para eles não faz sequer sentido não poder comunicar e partilhar tudo com quem querem, quando querem, em qualquer lugar e rapidamente. Por isso são conhecidos como a geração das app, digital ou geração Z.

Para eles só faz sentido viver o presente intensamente, sem a ilusão de que o futuro pode ser planeado. Quando lhes perguntam o que querem fazer quando crescerem, mesmo os mais novos já falam em start-ups. São filhos ou netos de gerações espremidas pela crise e por isso sonham em criar o seu próprio negócio. Acreditam que as ideias são a melhor das ferramentas, agarram como ninguém as oportunidades e o prazer é definitivamente a sua realização profissional. Carreira, moral ou trabalho para a vida são para eles conceitos de velhos.

Para esta nova geração, o principal mandamento da vida é o life hacking. Encontrar sempre o melhor truque ou ferramenta para aumentar a rapidez, produtividade e eficiência de tudo o que fazem. Táxi, por exemplo, é sinónimo de aplicação UBER e arrendamento ou hotel foram substituídos por serviços como o Airbnb.

Para os que nasceram já neste século não importa por exemplo o preço a pagar por um novo smartphone ou um tablet, mas já a música e os filmes têm que ser gratuitos porque estão “à solta” na internet. As tendências e a cultura são sinónimos de tudo o que é viral na rede, e muitas das referências que têm são apenas de personalidades Youtube.

Este é o futuro, hoje. Estes são os herdeiros da geração Millennium ou Y, nascida com a internet e criada com a crise. Descendentes por sua vez da minha geração X , individualista, ambiciosa e workaholic. São o culminar das gerações do pós-guerra que começou com os baby boomers.

Esta nova geração terá, no entanto, que aprender também a viver num mundo ameaçado diariamente pelo terrorismo e num planeta em iminente destruição ambiental. Vai ter que encontrar por isso um novo sentido para as palavras segurança e medo. Felizmente também já nasceram com os conceitos de voluntariado e solidariedade no seu ADN.

Não sei se quando chegar à idade adulta, o agora e ainda novo bébé da minha família, vai ter todas estas caraterísticas geracionais ou se será já tudo diferente. O que espero, sim, à semelhança de todas as anteriores gerações, é que também ele acredite que pode e que vai mudar o mundo. Quem sabe? Talvez consiga.

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