Mudar para poder recuperar

A Cimeira Social do Conselho Europeu arrancou ontem no Porto como o ponto alto da presidência portuguesa da UE. António Costa quer que esta cimeira seja um marco dos últimos meses, tal como o Tratado de Lisboa foi em 2007, e deixou o caminho balizado: quer apostar no digital e num Estado social forte. No Porto, todos apontaram o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, apresentado em 2017, como o caminho a seguir para recuperar da crise sanitária e económica. Os objetivos estão definidos até 2030: pelo menos 78% da população empregada; 60% dos trabalhadores a receber formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas - cinco milhões das quais crianças -, do risco de pobreza e exclusão social.

Mas para isso é preciso fazer diferente, como disse a presidente da Comissão Europeia. Ursula von der Leyen lembrou que "o mundo está em mudança" e que a União Europeia não pode ignorar todas as alterações demográficas, económicas, tecnológicas e climáticas que vão definir os próximos tempos. "Nós também temos de mudar", sublinhou. E a atual crise deixou, nos últimos dias, duas questões em destaque para aplicar essa mudança. O mote foi lançado pelo presidente americano Joe Biden, que defendeu o fim das patentes para as vacinas contra a covid-19, e que os líderes europeus admitiram discutir agora no Porto.

Com o mundo inteiro a enfrentar a mesma crise, a resposta tem de mudar e chegar de forma equilibrada a todos os cantos do mundo. Os países ricos podem seguir adiantados nas suas campanhas de vacinação, mas se países como a Índia ou o Brasil não tiverem ajuda para combater também a pandemia de forma eficaz, o risco global continua à espreita. A resposta deverá ser coordenada e os líderes europeus têm que aproveitar esta cimeira para reforçar a aposta no Estado social forte que defendem e que está longe de garantido.

A crise sanitária e social de Odemira é um dos exemplos. Estava há anos à vista de todos, há anos que era desvalorizada. Um exemplo que mostra a mudança que é necessária para se poder pensar então em recuperar.

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