Sílvia de Oliveira

CGD: Muitos milhões de tudo para jogatinas

Mário Centeno. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
Mário Centeno. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A situação atual, desesperada, da Caixa apanhou PS e PSD, não há inocentes neste colosso nacional.

Entre o “híper otimismo” deste primeiro-ministro e o catastrofismo cansativo da oposição de direita, existe, infelizmente ou felizmente, depende do ponto de vista, a realidade, ou pelo menos a parte que cada um pode e quer ver.

É assim com frequência e o tema da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não escapa à regra.

Primeiro, António Costa. Ainda esta terça-feira, o primeiro-ministro considerou que as negociações com Bruxelas sobre o processo de recapitalização do banco estatal estavam quase concluídas.

Algo desejável, mas improvável. Há muitos pontos por fechar, dos quais o valor da injeção financeira do Estado é apenas o mais óbvio. O governo português terá que mostrar, em Bruxelas, que o plano de recapitalização da Caixa é um investimento, para a instituição financeira e para o país, e mais do que isso, que é um investimento com retorno.

E para que isso aconteça, serão exigidas contrapartidas, planos de negócio, cortes de pessoal e de balcões, bem como a apresentação de uma estratégia que ponha a CGD a dar lucro.

Em 2015, o banco público apresentou prejuízos pelo quinto ano consecutivo — tudo somado, já são mais de dois mil milhões de euros.

Por todas as razões está claro que muita coisa deve ser feita, e com urgência. O maior banco a operar em Portugal não pode continuar nesta vida, pois assim deixa de fazer sentido a razão da sua existência. É um problema colossal, que não nasceu, obviamente, no tempo deste governo. Apanhou PS e PSD, não há inocentes.

Depois de Costa, agora o PSD.

Com a maior desfaçatez, o maior partido da oposição saca da cartola 30 perguntas sobre a crise na Caixa. Torna pública a lista e diz aguardar resposta do primeiro-ministro já esta tarde, a partir das 15 horas, em pleno debate quinzenal.

Os deputados do PSD também querem ter acesso a informação sobre devedores, créditos e imparidades. Como se a Caixa, bem como todos os outros bancos, não estivesse obrigada ao sigilo bancário.

Qual o montante das efetivas necessidades de capital da CGD? Em que modalidade pretende o Governo concretizar a capitalização? A reestruturação prevê a redução do número de trabalhadores da CGD? Se sim, quantos?

Estas são algumas das inoportunas perguntas para as quais o PSD quer respostas, já hoje. Nem com o “híper otimismo” de António Costa tal será possível. Nem o acordo com Bruxelas está quase fechado – e se na próxima semana o Brexit vencer? Nem, por isso mesmo, é hora para tanto voluntarismo. O PSD já deveria ter percebido, sobretudo, nos últimos anos, que a recapitalização da CGD é um evento vital para o sector e para o país e que basta esse facto para que, até estar tudo fechado, não exista um laivo de jogo político básico.

Jornalista e diretora do Dinheiro Vivo.

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