Múltiplos equilíbrios

Há muito que a teoria económica e arte da gestão empresarial abandonaram o mito da “melhor solução” ou da “solução única” (one best way). No livro injustamente esquecido, “O paradoxo da Inovação Empresarial” o Professor José Manuel Fonseca leva-nos por outros caminhos, mais frutuosos na busca de soluções inovadoras para as empresas.

As empresas portuguesas conhecem “a solução única” para a sua afirmação: o preço baixo e o esmagamento dos salários. Assim se produziu um país pobre e sem capital. A esta estratégia simplista adicionaram mais duas: o endividamento excessivo e a dependência dos fundos estatais de origem europeia. Esta receita levou-nos inexoravelmente à crise de 2008 e ao desaparecimento de alguns dos principais grupos empresariais portugueses – Grupo Espírito Santo, Portugal Telecom, etc. – e ao enfraquecimento de muitos outros, nomeadamente na construção.

Com um tecido empresarial fraco, empresas de pequena dimensão, trabalhando em regime de subcontratação para grupos estrangeiros, a inovação tecnológica está fora das suas possibilidades diretas, seja pelos custos envolvidos, seja pela escala que requer. Por isso ela tem de vir de fora, de organizações mais amplas e com maior capacidade de investimento.

Daí a importância de perceber que existem sempre várias soluções para o mesmo problema, o da sobrevivência e crescimento das empresas, e vários pontos de equilíbrio nos mercados. Inovar é encontrar os pontos de equilíbrio mais favoráveis à organização. Ajustar sempre da mesma maneira, sem pensar nas consequências, nem nas particularidades de cada situação, não ajuda a ultrapassar rapidamente a crise mas sim a agravá-la.

Em muitos setores a solução passa por uma concentração empresarial que permita ganhar musculo, capital, capacidade de investimento, para atuar mais eficazmente.

Noutros casos pelo contrário é preciso fazer entrar o Estado como parceiro ativo, para assegurar o futuro.

Em certas situações é preciso saber recuar. Por exemplo no investimento no novo aeroporto. Continuará a justificar-se tal esforço num momento em que há outras prioridades e em que o tráfico internacional vai ficar reduzido durante vários anos?

Não há uma solução única, não há panaceia universal, mas deve haver uma estratégia nacional mobilizadora, objetivos concretos a atingir e políticas adequadas para os concretizar.

* Jorge Fonseca de Almeida, economista, MBA

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