Opinião

Na Europa, a sustentabilidade deixou de ser opcional

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Todos os dias temos mais argumentos para defender que a viabilidade das empresas no médio e longo prazo depende da forma como estas encaram a sustentabilidade e contribuem para responder aos desafios ambientais e sociais. À medida que a implementação da estratégia da Comissão Europeia para um sistema financeiro que apoie a agenda da UE para o clima e o desenvolvimento sustentável avança, essa lista de argumentos cresce – e de forma muito significativa.

As leis europeias vão, a muito breve prazo, tornar-se mais exigentes, obrigando as empresas a cumprir requisitos de redução da sua pegada carbónica e de transparência em termos dos riscos financeiros associados às alterações climáticas. A referida estratégia para um sistema financeiro sustentável implicará nomeadamente que: os gestores de ativos e investidores institucionais terão de ter em conta a sustentabilidade no processo de investimento e de reforçar os requisitos de divulgação; seja incorporada a sustentabilidade nos requisitos prudenciais dos bancos e das companhias de seguros no financiamento externo para a economia europeia; as orientações relativas à publicação de informações não financeiras das empresas será revista e reforçada. Isto quer dizer que o desempenho financeiro da empresa deixará de ser o principal critério para determinar se estamos ou não perante um investimento recomendável. As empresas precisam de estar atentas, de perceber o que vai mudar e de se adaptar.

Entre as medidas em curso a nível Europeu está, por exemplo, a criação de uma linguagem comum para o financiamento sustentável (ou taxonomia), uma unificação do sistema de classificação da UE com o objetivo de definir o que é sustentável e identificar as áreas onde esse investimento sustentável pode ter maior impacto. No setor do imobiliário, ficam abrangidas por esta medida não só a construção e renovação de edifícios, mas também as atividades de compra e venda de ativos imobiliários, o arrendamento e a gestão da operação de imóveis, e ainda a prestação de serviços relacionados com imobiliário.

Com base nesta classificação, serão criados rótulos europeus para os produtos financeiros verdes. Será também exigido às empresas de seguros e de investimento que aconselhem os clientes em função das suas preferências em matéria de sustentabilidade. Esta alteração poderá implicar, por exemplo, limitações no acesso a financiamento bancário e a seguros por parte de instituições que não desenvolvam atividades sustentáveis.

A Comissão Europeia calcula que é necessário um investimento adicional de cerca de €180 mil milhões por ano para atingir as metas da União para 2030 que constam do Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas, incluindo uma redução de 40% nas emissões de gases com efeito de estufa. Estas mudanças, que colocam o sistema financeiro dentro da equação, são um passo determinante para que as empresas e os investidores façam diferença.

As novas regras são, naturalmente, um enorme desafio – mas também uma enorme oportunidade. Este é o tempo de se antecipar e de agir. O futuro é das Empresas que conseguirem colocar a sustentabilidade no centro da sua estratégia e, no caso do setor imobiliário, adaptar-se para refletir estes princípios em todos os momentos do ciclo de vida dos ativos – desde a fase de pré-desenvolvimento, ao desenvolvimento, seja de projetos de raiz, seja na renovação e/ ou expansão de edifícios, bem como, na sua gestão operacional.

Só trabalhando para responder aos riscos ambientais e sociais, e estando atento para capitalizar as oportunidades, se consegue construir uma Empresa à prova de tempo. A vantagem será sempre das que já contam com essa consciência no seu ADN – e com essa experiência no seu portefólio.

Elsa Monteiro, Diretora de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Sonae Sierra

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