Na selva?

Andar de carro pode ser instrutivo. Desfaz mitos. Se for a um centro comercial, o número de carros estacionados nos lugares reservados a grávidas e pessoas com crianças, leva a concluir que a baixa natalidade é publicidade enganosa, por certo promovida pelos pais na mira de aumentos do abono de família, abatimentos nos impostos e outras mordomias. Um esquema sofisticado: as grávidas não têm barriga e os filhos descendem do homem invisível. Conclui-se, igualmente, que há mais portadores de deficiência do que parece: nos shoppings não se veem as cadeiras de rodas, nem os aleijados que seria de esperar, em função do número de carros ocupando os lugares a eles reservados. A não ser que o problema esteja na cabeça: num caso ou noutro, tente perguntar-lhes se estão bem estacionados e vai ver que o problema é, mesmo, da cabeça! E a tendência é para piorar! Que fazer?

Na estrada, espantam-me as infrações e falta de civismo por parte de motoristas profissionais. Aqueles que deveriam dar o bom exemplo, dão, não poucas vezes, o mau. Não percebo que pessoas dependendo daquele emprego, não se coíbam de insultar quem lhes chame a atenção, sem saberem quem são, nem ponderarem os eventuais efeitos na manutenção do seu ganha-pão. Se esse comportamento diz muito sobre a sua falta de educação cívica, diz outro tanto sobre a qualidade dos processos de recrutamento e formação das empresas para quem trabalham. Não admira: esse é o domínio em que os processos de gestão, em Portugal, comparam pior. Às vezes, pequenos detalhes fazem a diferença. Já terá visto, em alguns veículos, o aviso "Conduzido por um profissional. Se vir alguma incorreção, contacte-nos". Pode ser impressão minha, mas, seja por orgulho ou pressão, são mais... profissionais. Melhores.

Para terminar a digressão, termo apropriado, sugiro uma volta de bicicleta. É certo que há condutores de automóvel agressivos e malcriados, mas, em contrapartida, a bicicleta tem vantagens: pode andar pela rua, passeio ou passadeira, não há nem sentidos proibidos, nem semáforos. Mais selva. Vá lá, ecológica.

Alberto Castro, economista e professor universitário

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