Sílvia de Oliveira

Não é família, é familiaridade

Alexandre Soares dos Santos tem dito muitas coisas, mas há dias tocou na ferida: as broncas que envolvem a família Espírito Santo têm um impacto brutal na credibilidade das empresas de cariz familiar.

A vida está cheia destas crises de que fala o dono do Pingo Doce, de casos que terminam tão mal que, no final, não resiste nem negócio nem família.

Existem, aliás, estudos sobre o tema. Ricardo Reis, que escreve nesta mesma página, citou, na semana passada, uma investigação académica recente, conduzida pelos economistas William Mullin e Antoinette Schoar, sobre o que distingue as empresas familiares das outras.

No inquérito dirigido a 800 CEO das maiores empresas de 22 mercados emergentes – as empresas familiares existem em menor escala nos países mais desenvolvidos -, conclui-se, por exemplo, que os gestores profissionais de empresas não familiares substituem com maior frequência os quadros de topo, ou resistem menos a fechar negócios com viabilidade duvidosa.

Mas o que Soares dos Santos não disse é que o que se passa no GES e no BES também poderia ter acontecido num grupo onde, da portaria até ao último andar, ninguém fosse da família de ninguém. Bastava que existisse familiaridade. Entre pais e filhos, entre irmãos e primos, ou apenas entre amigos e sócios.

Henrique Granadeiro não tem, que se saiba, qualquer relação familiar com os Espírito Santo, mas é reconhecida a forte amizade que o liga a Ricardo Salgado. A PT teria investido, há poucos meses, quase 900 milhões de euros de papel comercial da Rioforte (empresa do grupo Espírito Santo) se não existisse qualquer relação pessoal entre o chairman da PT e o histórico banqueiro? Provavelmente, não.

Terá sido esta amizade a tramar a PT. As amizades não justificam, mas explicam muitos maus atos de gestão por estas empresas fora. Ora, isto num país do tamanho de uma gamela, onde o amiguismo está entranhado nas mais diversas áreas da nossa vida, pode assumir proporções verdadeiramente preocupantes. É também por isso que são manifestamente exageradas as notícias do sucesso de Carlos Costa.

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