Não é ficção. Um país da OCDE tem 78,6% de crescimento homólogo da inflação

Terá mesmo falecido a "vingança do consumo" na última primavera ou os portugueses guardaram todas as poupanças para gastar nas férias de verão? Depois da pandemia, a economia esperava uma "vingança do consumo", uma espécie de bebedeira de compras após os confinamentos. A expectativa dos agentes económicos foi defraudada, dizem os mesmos, e a subida dos preços das matérias-primas começou por anular esse efeito tão aguardado. Este verão, mesmo com a fatura mais cara nos combustíveis, gás, luz e no cabaz alimentar, o consumo disparou. O cenário não é totalmente azul e solarengo em pleno agosto, mas os hotéis estão cheios ou esgotados, com preços recorde (leia o artigo ao lado, nestas páginas) e não são só os estrangeiros que os reservam, mas também os portugueses; os restaurantes estão à pinha e os centros comerciais também. Não há mãos a medir no comércio e no turismo, afiança quem trabalha nesta área, de norte a sul do país. Só vamos saber quanto gastou em média cada turista interno e externo quando chegarmos ao final da época de veraneio, mas, para já, os agentes económicos esfregam as mãos de contentes.

Não nos iludamos, são fogachos de verão. Ansiosos por férias e por voltar a ter uma época de descanso normal, sem máscaras e outras estrições, a tendência da população é aproveitar como se não houvesse amanhã. Mas há amanhã e pode ser de recessão. Aliás, vários economistas mundiais estão a antecipar essa previsão de 2023 para 2022, admitindo fortes contrações nas principais economias globais. Os indicadores, sobre os quais aqui tenho vindo a escrever semana após semana, continuam a surpreender pela negativa: a inflação na OCDE registou máximo de 34 anos e subiu para 10,3% em junho, comparando com 9,7% em maio. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico avança que em cerca de um terço dos países da OCDE a inflação homóloga aumentou dois dígitos, com a Turquia à frente a registar uma assustadora subida de 78,6%.

Há mais: os preços dos alimentos, segundo a mesma organização internacional, aumentaram 13,3% em junho, versus 12,6% em maio, o valor mais alto desde 1975, para o conjunto dos países reunidos na OCDE. E a energia? Aumentou 40,7% em junho face ao mês homólogo do ano passado. Em maio a subida tinha superado ligeiramente os 35%.
Mesmo que as previsões de crescimento do produto interno bruto (PIB) para Portugal sejam optimistas (mais de 6%), que não gaste como se não houvesse amanhã. E, já agora, descanse nas férias e não mate o mensageiro!

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