Não foi manif, foi futebol!

Dois meses depois, anunciou o governo, com pompa e circunstância, uma descoberta de leão: afinal, o evento político com que a Juve Leo justificou a instalação de um ecrã gigante à porta do estádio José de Alvalade, onde o jogo que fez do Sporting campeão foi transmitido, não foi nada disso. Palavra de ministro da Administração Interna, que tinha até na mão o relatório oficial que comprovava as conclusões: a festa foi "abusiva", não houve "cooperação" com a polícia e o palco montado no estádio foi "abuso do direito à manifestação". Vejam lá que parece que tudo aquilo foi montado para os adeptos conseguirem ver o jogo e celebrar a vitória... não há direito!

Afinal, ainda vale a pena termos instituições e responsáveis políticos, que eles podem levar o seu tempo, mas sempre chegam a conclusões. Estava à vista de todos? Pois, mas era importante trabalhar e produzir o tal relatório - e isso é coisa que leva tempo. O relatório é fundamental para poder apontar dedos e lembrar que a vergonha na cara e a tal responsabilidade política que o povo de vez em quando se lembra que existe nas democracias evoluídas é secundária.

Ora mais uma vez fica claro que os nossos decisores merecem a confiança - e o dinheiro - dos contribuintes. E quem não vai lá só com o exemplo de Cabrita, ponha os olhos no que diz Temido. Aquele relatório que os médicos e os especialistas apresentaram há dias, a dizer que a matriz de risco que o seu governo usa para semanalmente decretar o que os portugueses podem e não podem vem fora de tempo. É que aparentemente a ministra da Saúde e os colegas que se sentam no Conselho de Ministros já há muito que sabem do peso de todos aqueles fatores que o bastonário dos médicos veio pedir que fossem ponderados. O problema é das pessoas - os portugueses, essa malta incumpridora e irresponsável - que não querem entender que o governo bem sabe que tudo aquilo deve ser posto na balança, e até o que mudava se ponderasse todos esses argumentos, mas que prefere decidir e mandar sem olhar a minudências.

Não estivessem os nossos governantes tão ocupados com assuntos sérios e se calhar até deixavam de tomar decisões com base em ideologia, preferências pessoais e favores essenciais à manutenção da maioria parlamentar.

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