Nas cidades do futuro, estar no digital vai ser tão natural como respirar 

Há 170 anos, uma pandemia mortal tomou o mundo de assalto. Surtos de cólera atingiram países em vagas sucessivas, tendo morto mais de um milhão de pessoas na Europa. Em Londres, John Snow, um médico local, teve a ideia radical de registar cada morte num mapa da cidade e investigar diferentes grupos de fatalidades, um trabalho que veio a identificar a origem do surto - um poço público contaminado, em Broad Street. A descoberta evidenciou não só que a cólera era transmitida pela água (e não pelo ar, como se pensava entre a comunidade médica), como deu origem a uma nova era de crescimento urbano em todo o mundo, sustentada pelo saneamento.

Em grande medida, o mapa de Broad Street marcou o início da era das cidades inteligentes modernas e a análise de dados tem impulsionado a forma como as pensamos desde então. A atual pandemia de coronavírus está, da mesma forma, a impactar a forma como as cidades são geridas: a ciência dos dados é, cada vez mais, a base fundamental para a forma como construímos, habitamos e nos desenvolvemos enquanto civilização.

Construir as cidades do futuro a partir do digital passa por "ouvirmos" mais o ambiente urbano e tornarmos esse conhecimento progressivamente mais granular, com a ajuda da tecnologia: quantos carros circulam naquela rua? Como estão as pessoas a usar determinado parque? Que dados podemos exportar dos edifícios onde habitamos para que se tornem autossuficientes?

Tal como num organismo vivo, interligado e apoiado por informações que mais do que responder a necessidades, as antecipam, o bom funcionamento das cidades do amanhã vai depender da equidade no acesso a serviços em plataformas integradoras e geradoras de dados estratégicos para a sustentabilidade do conjunto.

Há 40 anos, a série de animação "The Jetsons" moldava o retrato que fazíamos de uma civilização à frente do nosso tempo; hoje sabemos que o caminho será diferente e devemos aproveitar o momento de inflexão trazido pela pandemia para preparar um futuro inteiramente assente no digital.

Country Manager da plataforma Habitissimo para Portugal e Brasil

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