Navegar o mercado do Estados Unidos da América

Com a presidência de Donald Trump, de 2016 a 2020, os EUA viveram um período de crescente nacionalismo e isolacionismo.

Com a vitória do democrata Joe Biden nas recentes eleições presidenciais, está previsto que as políticas internas do país sofram alterações substanciais que irão provocar alterações nos mercados económicos.

A expectável tendência política que se avizinha, preveem iniciativas favoráveis para a geração de empregos, investimentos na indústria nacional, alto desenvolvimento tecnológico, e claro à globalização e à introdução de players no mercado.

De acordo com a Oxxford Information Technology, uma empresa de serviços de informação em Hagaman, Nova Iorque, quase dois milhões de empresas americanas fecharam em 2020, a maioria pequenas empresas. Isto abre as portas para uma nova vaga de inovação e empreendedorismo, sendo que um mercado cheio de ideias precisa de empresas que as desenvolvam.

Os EUA são um dos destinos mais cobiçados pelas empresas portuguesas com estratégias de crescimento internacional, sendo um mercado atrativo, pelo seu tamanho e pela sua dinâmica.

A decisão estratégica de investir no mercado americano, pressupõe como ponto de partida a definição geográfica de onde queremos investir. Os EUA não são um mercado, mas sim 50 mercados, cada um com as suas regras. Na escolha da localização deve procurar-se um estado que tenha condições favoráveis ao seu negócio nomeadamente impostos, regras, proximidade dos clientes estratégicos, acesso a mão de obra qualificada e incentivos fiscais. O tamanho do país obriga a deslocações frequentes e uma localização próxima de um aeroporto com boas ligações domésticas traz muitas vantagens. Numa fase inicial onde todo o apoio é pouco, escolha uma localização que minimize o impacto da diferença do fuso horário e da distância com a empresa mãe.

Mais do que definir a região do investimento, no processo de internacionalização e expansão de um negócio, é saber que a entrada no mercado Americano necessita de um investimento avultado devido ao custo elevado da mão-de-obra e serviços a contratar. No meio deste processo é importante gerir expectativas pois a penetração no mercado pode ser prolongada.

Com o novo governo, existe alguma expectativa que este processo de internacionalização de empresas seja significativamente melhorado, mas ainda assim é importante ter estes pontos em mente.

It"s All about the people...

São as pessoas que fazem as organizações e no processo de expansão de um negócio é fundamental que a sua equipa seja composta por elementos totalmente alinhados à estratégia de crescimento do negócio na região, dominado a oferta a apresentar. A polivalência desta equipa é fundamental, sendo necessário ter sempre pessoas locais, que possam partilhar a forma como o mercado comunica e interage, quais os players importantes para o seu setor e estratégias de relationship.

Com a "reabertura" do mercado americano ao mundo, abre-se de novo uma porta para as empresas e para o talento internacional.

Um excelente aliado neste processo de internacionalização é a câmara de comércio portuguesa que apoia as empresas portuguesas, promovendo a rede de contactos local e partilhando e organizando eventos de networking regulares.

O processo de entrada no mercado dos EUA não é fácil, mas com preparação, uma equipa polivalente e ofertas focadas, a probabilidade de sucesso aumenta significativamente. A InnoWave, empresa de serviços tecnológicos sediada em Lisboa, iniciou a sua expansão para terras de "Uncle Sam" em 2018, mas desde 2012 que desenvolve soluções para clientes norte americanos a partir de Portugal. No seu percurso enfrentou dificuldades e cometeu erros que superou aproveitando para aprender e melhorar.

Este artigo reflete a visão de um português, que lidera uma subsidiária norte-americana, e que tem vindo a assistir de perto todos os episódios desta novela que são os EUA desde a tomada de posse do Presidente Trump. E partilhar com todos os que se querem lançar no seu american dream, para que de alguma forma tenham mais capacidade de vingar. Pois, os USA são e serão mais ainda, a terra das oportunidades.

Marco Carreira, Managing Director North America da InnoWave

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