Opinião

Networking IV: “Pontos de partida” vs “Pontos de chegada”

O conceito da proatividade enquanto ação para resolução ou antecipação de uma consequência futura, é imperativo em todo este processo

Um dos pontos de conversa mais habituais com os meus interlocutores sobre este tema, acaba sempre por incidir na questão de que nem todos os indivíduos têm a capacidade/possibilidade/oportunidade de criar uma rede de networking.

O termo aplicado vai-se alterando conforme o sujeito da conversa, mas acaba sempre no fundo por se basear em algo que mais do que uma sentença fatalista, pois refugia-se sempre no mesmo (falso) pressuposto dogmático – O networking não é para todos…

Contudo, considero que tal não corresponde minimamente à verdade.

Para sermos precisos, não podemos ignorar que, decorrente de um conjunto de fatores endógenos ou exógenos, como a nossa personalidade, profissão ou a empresa onde trabalhamos, a criação de uma rede de networking acaba sempre por ser influenciada por esses e tantos outros elementos.

Ora, no nosso artigo do mês de Março sobre o tema do Networking sobre o qual temos vindo a escrever ao longo deste ano de 2017 e o qual pode ser lido em https://www.dinheirovivo.pt/outras/opiniao-estrategia-pessoal-para-a-criacao-de-uma-boa-rede-de-networking/, referíamos que a estratégia pessoal que cada um de nós tem de desenvolver e implementar para a criação de uma (boa) rede de relacionamentos, deve ser levada a cabo não só de forma intelectualmente honesta e altruísta, mas também de forma “personalizada” a qual dependerá de uma correcta e honesta análise critica ao(s) ecossistema(s) onde cada um de nós está inserido e da sua própria personalidade.

Ou seja, a correta, fria, humilde e objetiva análise supra referida permitir-nos-á chegar aquilo a que habitualmente designo como os nossos “pontos de partida” por contraponto aos “pontos de chegada”, sendo estes últimos os objetivos a que nos propomos com o desenvolvimento da estratégia de que falamos.

Então, o que será isso dos “Pontos de Partida”? Simples…

Basta começar a responder a perguntas tão acessíveis como Quem sou?”, Como sou?”, O que faço?”, Quem conheço?”, “Onde estudei?”, “Com quem estudei?”, “Onde trabalho?”, “O que gosto de fazer?”, “Onde gosto de ir/estar?”, etc, etc.

No fundo, quando afirmamos que o networking pode (e deve) ser para todos, partimos do pressuposto que cada um de nós tem um passado e um presente e seja ele qual for dar-nos-á as referências mínimas para podermos desenvolver a tal estratégia pessoal de que falávamos no nosso artigo de Março acima referenciado.

Contudo, estes “Pontos de Partida” não vivem sozinhos na elaboração do nosso plano de criação de uma rede de relacionamentos na medida em que precisam da definição ambiciosa mas realista dos objetivos que pretendemos alcançar. Ou seja, os “Pontos de Chegada”:

Quem quero ser?”, “Quem quero conhecer?”, “O que quero fazer?”, “Onde quero trabalhar?”, são algumas das perguntas que poderemos fazer a nós próprios para definir e identificar os nossos objetivos pessoais e profissionais.

Por isso, tenho por hábito e sempre de forma amplamente convicta que todos os “pontos de partida” de cada um de nós são potenciais “pontos de chegada”, sendo a definição destes últimos, um processo dinâmico e como tal não estanque ao longo da nossa vida.

Se dúvidas ainda existirem tomemos como exemplos básicos e referências simples tais como a nossa naturalidade e/ou nacionalidade, profissão que desempenhamos, a escola ou universidade que frequentámos, as próprias relações familiares e/ou sociais, os hobbies de que gostamos, os desportos que praticamos, ou até mesmo o local onde habitualmente passamos férias.

Quase todos nós conhecemos histórias de alguém que fez um negócio ou arranjou um (primeiro ou novo) emprego através de uma qualquer situação decorrente do parágrafo anterior.

Contudo, penso que não será necessário ser dotado de grandes conhecimentos de Física para perceber que não é possível mover-nos de um ponto para um outro predefinido sem a dinâmica e análise correta.

O conceito da proatividade enquanto ação para resolução ou antecipação de uma consequência futura, é imperativo em todo este processo.

Sem ela e sem uma boa dose de voluntarismo, resiliência, honestidade intelectual e capacidade de análise corretamente dimensionada tudo fica mais difícil e complicado.

Em suma, a todos é possível construir uma rede de networking se para isso levarmos em conta que tal implica a criação de relacionamentos (Artigo Networking I), de forma verdadeiramente interessada (Artigo Networking II), com base numa estratégia pessoal e personalizada (Artigo Networking III), ainda que para tal, tenhamos cada um de nós de levar em linha de conta os nossos “Pontos de partida” de forma a alcançar os “Pontos de Chegada” que de forma ambiciosa mas exequível traçamos a cada momento das nossas vidas.

Director Área de Mentoring Corporativo e Docente de Networking da Católica Lisbon School of Business and Economics – miguel.henrique@.ucp.pt

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