Opinião

No longo prazo todos estaremos mortos. Ou talvez não…

Ilustração529_ 15 formas de ter sucesso na mudança de carreira-10

Vamos viver e trabalhar até mais tarde. Vamos, pela primeira vez, ter cinco gerações nas mesmas equipas de trabalho.

“In the long run we are all dead” é uma conhecida afirmação do grande economista inglês John Maynard Keynes muito ligada a todo um quadro conceptual da macroeconomia contemporânea. Contudo, parece que não é bem assim.

Numa conferência que recentemente teve lugar na Porto Business School subordinada ao tema “Os grandes desafios mundiais”, o professor Sobrinho Simões, reputado investigador na área das ciências da vida, professor e médico patologista, introduziu um novo parâmetro na “equação” da vida e, por isso, da economia e da nossa sociedade. Diz o professor Sobrinho Simões que o grande problema da sociedade atual é o facto de as pessoas não morrerem. Morrem cada vez mais tarde, com longevidades em crescimento exponencial.

Aqui chegados, todo um conjunto de novos problemas (dilemas, digo eu) é trazido à discussão – dos mais básicos e terrenos, como seja o financiamento das gerações mais velhas, do sistema de cuidados e de saúde, da preparação das infraestruturas físicas e não físicas, aos mais filosóficos e existenciais, sobre a vida e a morte. Por não me sentir com competência para tratar estes últimos, centrar-me-ei nos primeiros, os “básicos e terrenos”, em particular nas novas formas de trabalho e na transformação que vai ocorrer nas organizações perante esta realidade.

Vamos viver e trabalhar até mais tarde. As carreiras vão ser mais longas. Vamos, pela primeira vez, ter cinco gerações nas mesmas equipas de trabalho. As formas de trabalho vão ter necessariamente de se alterar. As equipas serão mais diversas e mais inclusivas. Vamos assistir a processos de reverse mentoring [i.e., mentoring invertido] – em que os mais velhos vão aprender com os mais novos.

A capacidade de aprender será uma das competências mais relevantes neste nosso mundo: a capacidade de aprender, desaprender e voltar a aprender; ciclo que se repetirá diversas vezes ao longo da carreira. As carreiras também serão mais longas e os percursos mais improváveis. O percurso de carreira não será necessariamente ascendente. Cada pessoa terá carreiras múltiplas, onde vai agregando/aprendendo competências diferentes, muito longe das competências e aprendizagens do início da sua carreira.

As próprias organizações estão a ser transformadas por esta nova realidade. Vão ser aprendizes permanentes. Vão ser mais empreendedoras como forma de se tornarem resilientes. Vão reinventar-se e vão ser inovadoras. Vão com certeza ser mais ricas, por mais diversas e inclusivas, aproveitando os saberes acumulados das gerações mais velhas.

É esta a minha perspetiva, animadora e otimista, sobre este longo prazo que afinal já está aí e onde, felizmente, não vamos estar todos mortos.

Patrícia Teixeira Lopes é associate dean da Porto Business School

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