Opinião: Manuel Falcão

Novidade de 2019: a guerra de audiências entre a SIC e a TVI

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A semana em que o Programa da Cristina foi para o ar foi a primeira em que a SIC liderou em share médio desde há muitos anos.

O despique entre a TVI e a SIC está ao rubro. As alterações introduzidas à grelha da SIC, nomeadamente com o início do Programa da Cristina, vieram alterar o que era o cenário de domínio absoluto da TVI desde há muitos anos. Na altura em que escrevo este artigo estão recolhidas audiências de seis semanas do ano e a SIC liderou em três delas, enquanto a TVI liderou nas restantes. Se olharmos para os resultados globais de janeiro a liderança em termos de share médio foi ainda da TVI com 18,5% de share médio de audiência contra 17,7% da SIC. Em termos de média diária a TVI liderou em janeiro durante 18 dias e a SIC em 14.

A semana em que o Programa da Cristina foi para o ar foi a primeira em que a SIC liderou em share médio desde há muitos anos. No entanto, por melhores resultados que o Programa da Cristina faça (e tem feito face à concorrência no mesmo horário), a verdade é que no período da manhã o número global de espectadores de televisão é reduzido e tem um peso pequeno na média diária. É a partir das 18h00 que o número de espectadores começa a crescer e na maior parte dos dias a TVI tem conseguido manter a liderança.

De qualquer maneira o movimento verificado veio mostrar como os canais generalistas (ou FTA- Free To Air, na terminologia técnica) têm peso na sua capacidade de mobilização de espectadores. Embora a audiência destes esteja a decrescer progressivamente, eles ainda captam entre si (RTP1, SIC e TVI) cerca de 48% do total do auditório de televisão em Portugal. O conjunto dos canais de cabo capta cerca de 40% das audiências e o restante, que é muito e está a crescer, mostra o peso do streaming e de outras utilizações do aparelho de televisão. No cabo o líder continua a ser a CMTV, que fechou janeiro com 3,9% de share. A Globo ficou logo a seguir com 2,4%, a SIC Notícias e a RTP3 (no cabo em TDT) ficaram cada uma com 1,8% e a TVI24 com 1,7%. A Fox continua a ser o canal de séries mais visto, o Hollywood lidera nos filmes e o Disney Channel nos infantis.

Voltando à luta entre SIC e TVI os próximos tempos vão trazer um acirrar da competição – a SIC conseguiu inverter o ciclo de queda e está num momento positivo, mas vai ter de fazer mudanças mais profundas se quiser manter a liderança. É certo que, com esta mudança, a forma como as pessoas olham para a SIC mudou – mostra que a estação está de novo a lutar pelo primeiro lugar. Mas a TVI tem dado sinais de que quer manter a liderança e está a trabalhar nisso. Um dos efeitos colaterais desta guerra já está a ter reflexo na informação destes canais – a SIC, seguindo o que tem sido prática nas estações comerciais de todo o mundo, começou a incluir no seu principal bloco informativo, das 20h00, conteúdos da programação e entretenimento, reportados como se fossem notícias. Isto tem permitido ganhar audiência no momento mais decisivo do dia – aquele no qual mais gente vê televisão e o Jornal da Noite da SIC tem tido melhores resultados. Quando estava na TVI, Cristina Ferreira conquistou a liderança no acesso ao prime time e ajudou a consolidar a liderança do canal. A próxima batalha entre estações vai ser nesse segmento horário – onde por acaso a RTP tem uma posição importante com a O Preço Certo, de Fernando Mendes. Este ano promete mesmo um despique feroz.

Diretor-geral da Nova Expressão, Agência de Planeamento de Media e Publicidade

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