Nunca é tarde para ser um fazedor

Em 1955, Harland Sanders era um velho. A esperança média de vida para quem, como ele, nascera no século anterior não passava dos 40 anos - ele já levava 25 a mais. Já abrira e vira fechar vários negócios. Mas ainda estava para fundar aquele que lhe traria o verdadeiro sucesso.

Se revelar o seu nome de guerra, Colonel Sanders, talvez seja mais fácil identificá-lo como o homem que inventou um dos negócios mais lucrativos e internacionalizados do mundo. Com 18 875 lojas em 118 países, a KFC (Kentuchy Fried Chicken) é a segunda maior cadeia de restaurantes do mundo, com uma facturação de 23 mil milhões de dólares.

Nem todos os negócios estão fadados ao sucesso. Nem todos os empreendedores têm a capacidade de fazer um negócio crescer a este nível. Mas o exemplo de Sanders revela alguns princípios fundamentais para quem sonha ser um fazedor – é assim que lhes chamamos aqui, aos homens e mulheres que fazem coisas, que não se enroscam dentro da caixa e têm a coragem para materializar as suas ideias.

A primeira revelação é que nunca é demasiado tarde para tentar. Sanders tinha 65 anos quando criou o KFC. Passou anos a desenvolver uma fórmula secreta para fritar o frango mais rapidamente e mantendo todo o sabor. A guerra e a depressão obrigaram-no a adiar o seu projecto. Mas nem por isso ele desistiu de fazer aquilo que acreditava que ia ser um grande negócio.

O que nos leva à segunda revelação: não importa quantas vezes falhar, o importante é continuar a tentar. E ter a noção de que as coisas demoram o seu tempo, mais ou menos longo, a acontecer. Quando Nuno Carvalho teve a ideia de abrir a Padaria Portuguesa, em 2009, provavelmente não pensou que a cadeia tivesse crescido para 26 lojas daí a seis anos. Agora, o seu objectivo é bem mais ambicioso: ter 40 lojas até ao próximo ano e alcançar uma facturação de 20 milhões de euros. Mas não dá passos maiores do que as pernas: o investimento é todo feito à medida do cash flow.

E assim chegamos ao terceiro princípio fundamental para quem quer tornar-se num fazedor: traçar objectivos não significa ficar refém deles. É importante gizar um plano, posicionar fasquias realistas. Quando, quanto e como são perguntas que deve fazer sobre a evolução do seu negócio, logo à partida, e é aconselhável que se mantenha, tanto quanto possível, fiel a essas metas. Mas quando houver derrapagens não deve disparar a cores, deitar mãos à cabeça e achar que o melhor é desistir de tudo. Antes deve reavaliar a situação, encontrar as razões que levaram às falhas, corrigi-las e retraçar a rota tantas vezes quanto for necessário.

Para terminar, um conselho do empresário e speaker motivacional norte-americano Farrah Gray: Construa os seus sonhos, antes que alguém o contrate para construir os dele. Se tem uma ideia e um plano, vá a jogo. Arrisque. Pode estar a criar o negócio da sua vida.

Quer saber se conseguiria lançar um negócio de sucesso? Faça aqui o teste que o Dinheiro Vivo criou sobre a Padaria Portuguesa.

Subdirectora do Diário de Notícias

Escreve à segunda-feira

Escreve de acordo com a antiga ortografia

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