O admirável mundo novo da ferrovia

Nunca como agora os bons exemplos foram tão importantes para o futuro da economia. Neste tempo de pandemia, em que os Planos de Recuperação dos países na União Europeia estão em fase de aprovação, a aposta em setores estratégicos é fundamental. O caso da ferrovia em Portugal é um excelente exemplo pelo foco colocado de forma integrada na inovação, competência e estratégia. Trata-se dum desafio único, que tem que assentar numa verdadeira dimensão colaborativa de mobilização dos atores da mudança (empresas, académia, centros de competência) para uma agenda operacional focada no valor e no impacto para o futuro. A PFP - Plataforma Ferroviária Portuguesa - que integra vários atores ligados à área económica e da inovação é o claro exemplo dum ecossistema que com inteligência coletiva e um sentido de propósito está centrado numa agenda de competência e valor.

É importante perceber que a aposta nos fatores dinâmicos de competitividade, numa lógica territorialmente equilibrada e com opções estratégicas claramente assumidas, é um contributo central para a correção das graves assimetrias sociais e regionais que se têm acentuado. Falta por isso neste novo tempo um verdadeiro choque operacional capaz de produzir efeitos sistémicos ao nível do funcionamento das organizações empresariais. A aposta numa infraestrutura moderna na área da ferrovia, através do contributo estratégico e inovador de um Centro de Competência, é uma das respostas certas para aumentar a eficiência e segurança numa mobilidade inteligente cada vez mais importante para a criação de valor na economia e ao mesmo tempo reforçar a agenda de captação de investimento e talentos para as zonas territoriais mais carenciadas, como é o caso do interior.

Esta Plataforma inovadora no seu conceito e no seu modelo estratégico é também uma resposta aos desafios que a agenda da transição digital e do green deal nos traz à nossa economia e sociedade. O uso das novas tecnologias como um instrumento de melhor gestão da informação e de integração de modelos de governance operacional de sistemas complexos como os que a ferrovia íntegra é um desafio mobilizador para este cluster que se quer também afirmar como um operador de modernidade tecnológica junto deste ecossistema da mobilidade e transportes. Nesse contexto, muito relevantes as iniciáticas de propostas de valor outbond associadas ao retrofit e ao papel das empresas âncora pelo efeito de liderança estratégica que podem e devem ter nesta agenda de reposicionamento de toda esta área central para o futuro do nosso país.

Muito interessante o exemplo de boa prática na área da inovação aberta que esta Plataforma Ferroviária Portuguesa encerra. Também na importante área do Investimento Direto Estrangeiro este é um cluster que pode e deve fazer um trabalho de referência, ao mobilizar o interesse das OEMs e TIER´s para poderem escolher o nosso país como um hub de aposta na inovação e competência estratégica. Esta crise da pandemia veio acentuar a necessidade de criar verdadeiras comunidades de valor global no nosso país e depois do exemplo do setor automóvel com a Autoeuropa e da aeronáutica com a Embraer este é o tempo para os grandes operadores internacionais da ferrovia poderem também olhar para o nosso país como uma boa aposta para a localização das suas apostas de investimento para o futuro.

Em linha com as grandes apostas europeias, Portugal tem agora uma grande oportunidade de através da ferrovia dar um passo em frente na modernização estratégica das suas infraestruturas de mobilidade e como tal contribuir para um compromisso inteligente entre o foco na competitividade e a valorização da coesão territorial e setorial. Estas é uma agenda que não se faz por decreto mas sim através do reforço de competência e inovação de um ecossistema que será sem dúvida um dos bons exemplos para o tempo pós pandemia que nos espera.

(x) Economista e Gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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