Opinião

O amor a Portugal

Bernardo Theotónio Pereira, sócio da FIRMA.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
Bernardo Theotónio Pereira, sócio da FIRMA. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Com as fragilidades atuais e futuras, não podemos continuar a gerir um país pelas eleições e interesses partidários de curto prazo.

Já chega de falarem no vírus. Ele existe. É real. Oportuno. Mas é muito menos perigoso do que se tem dito. Já a situação actual é muito mais grave do que se pensa e se tem transmitido e anunciado.

Espero que os políticos portugueses, europeus e mundiais não se estejam a aproveitar deste momento tão difícil para esconderem a realidade que todos sabem que estamos e iremos viver.

No próximo dia 30 vão-se não decidir soluções para o que se sabe que não se tem. Não se confunda nem vírus, nem pandemia, nem crise financeira com o que iremos viver. A crise-guerra é diferente: é inesperada por poder ser uma crise política, monetária, cambial, social e, por isso, se poder transformar numa guerra, diferente da guerra comercial a que assistimos ou de outras convencionais passadas.

Isto obriga-nos a exigir mais de quem nos governa. Mas a exigência não é mais tempo, entrega ou disponibilidade. E também não é mais capacidade. Pois isso tudo até têm (apesar da actual oligarquia político-partidária). Devemos exigir transparência. Transparência na informação e da realidade que vivemos.

Não nos metam medo por algo que não devemos temer. Não nos metam medo por algo com que temos de conviver e, acima de tudo, temos e precisamos de combater. Não nos metam medo com a “possível e perigosa instabilidade política ou falta de alternativas viáveis” (como dizem), quando Portugal e os portugueses sempre conseguiram encontrar alternativas quando menos se esperava. Temos de perceber e reconhecer que vivemos numa oligarquia, habilmente, manipulada, por quem a gere, vive e se serve há tantos anos.

Não pode continuar a ser.

Por tudo isto, o mínimo é respeitarem-nos, transmitindo-nos o que verdadeiramente se passa, como se passa e o que se passará. Caso não saibam, digam que não sabem. Teremos sempre quem saiba. E caso não saibam comunicar, como tem acontecido, contratem quem saiba. Mas, acima de tudo, prevejam.

Não podemos cometer os mesmos erros que cometemos nos anos 80/90, quando nos encheram de fundos europeus (que ainda pagamos) e sobre os quais não houve qualquer controle, escrutínio ou regulação. Basta de sermos insanos (lembrando Einstein).

Hoje, caso algo recebamos, como já recebemos no entretanto, que tudo seja transparente. Que todos saibamos quem recebeu, como recebeu, quando recebeu, por via de que instituição, para que finalidade, em que prazo e com que justificação. O Estado não pode nem deve ser o único regulador. Cabe-nos a todos regular e garantir que o dinheiro de todos nós é bem aplicado e que quem o recebe é merecedor de o receber. E este controlo tem de ser simples, fácil, rápido e transparente.

Por outro lado, devemos exigir verdade. No mundo actual e com as fragilidades vividas e futuras não podemos continuar a gerir um país pelas eleições e os interesses partidários de curto prazo.

Basta.

Todos conhecemos a teoria do poder de Maquiavel (1469-1527). Mas onde é que isso já vai? No século 21 ainda estamos a viver nas teorias da geração dos Tudor (1485-1603)!? Que ridículo.

Precisamos de muito mais. Sejamos patriotas. E que saibamos defender o nosso país e os portugueses. Que todos falemos verdade para que todos possamos preparar e gerir devidamente as expectativas. E isto faz-se com diálogo, abertura e, sempre, com transparência.

Quem conhece e possa saber que conte a verdade. O mundo do faz de conta já passou. Aliás, até faz lembrar os regimes criados após as fatídicas, dramáticas e últimas Guerras Mundiais. Não cometamos, sistematicamente, os mesmos erros por falta de leitura, cultura, conhecimento e memória.

Estou preocupado. Mas muito activo para poder contribuir para transformar o que tem de ser já transformado, para podermos ter um Portugal melhor e com mais futuro.

Não podemos hipotecar Portugal!

Vamos a isso!

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