Opinião

O bolso é que paga!

Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens
Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

A presunção é um dos piores inimigos da melhoria: quando quem tem responsabilidades não reconhece a necessidade de mudar, o progresso é uma miragem

A produtividade é uma preocupação recorrente dos economistas por condicionar a capacidade de as empresas competirem e, sobretudo, o nível de vida de uma comunidade. Às vezes, parece um problema exclusivo do sector privado: quando não há mercado e, mormente, quando se tem o poder de, coercivamente, impor a cobertura dos custos, a produtividade perde relevância. Enquistada em vários serviços públicos, esta “cultura” redunda em excessos de despesa e em cargas fiscais asfixiantes.

No seu Boletim de maio, o Banco de Portugal sublinha que, nos últimos anos, a produtividade tem estado estagnada ou, mesmo, a baixar: o produto cresce à custa de mais emprego já que o valor acrescentado, por trabalhador, é cada vez mais baixo (desceu 0,6% em 2018). Se esta situação não se inverter, não será possível “sustentar uma dinâmica mais forte dos salários e rendimentos”. Como, no último ano, os salários terão crescido mais do que a inflação, os sectores/empresas mais expostos à concorrência internacional, ou conseguiram fugir à média, ou terão tido de apertar margens.

Os métodos e processos usados na gestão das organizações, seja na fixação dos objetivos, no seu acompanhamento, no controlo dos custos ou no recrutamento, formação e incentivos aos trabalhadores são críticos para a melhoria da produtividade. Estudo após estudo confirmam-no. Como confirmam que a presunção é um dos piores inimigos da melhoria: quando quem tem responsabilidades não reconhece as limitações e a necessidade, e vantagem, de mudar, o progresso é uma miragem. A evidência é confrangedora: os piores são os mais convencidos; os melhores, os mais humildes.

Os serviços públicos são um bom (mau!) exemplo. Pouco ou nada se fez nas últimas décadas: nem na estrutura, nem no controlo (que não é sinónimo de cortes ou cativações) e, ainda menos, na gestão das pessoas. Para quê? Se presumirmos que tudo está bem, para se produzir mais (e já nem digo melhor!) serão precisos sempre, e só, mais recursos. É essa a ladainha quotidiana. O sector público como exceção. O exemplo da eficácia e eficiência. Ainda não tinha dado por isso?

Alberto Castro, economista, professor universitário

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal  Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Mário Vaz. “Havendo frequências, em julho teríamos cidades 5G”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), durante a cerimónia militar do Instituto Pupilos do Exército (IPE), inserido nas comemorações do 108.º aniversário da instituição, em Lisboa, 23 de maio de 2019.  ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Marcelo: “Quem não for votar, depois não venha dizer que se arrepende”

Certificados

Famílias investiram uma média de 3,3 milhões por dia em certificados este ano

Outros conteúdos GMG
O bolso é que paga!