Opinião: João Almeida Moreira

O Brasil real e dos reais

Fotografia: Direitos reservados
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Afinal, quem vai ganhar as eleições do Brasil? Será o líder das pesquisas de opinião Paulo Guedes? Márcio Pochmann é, naturalmente, um candidato forte. Nelson Marconi vem subindo nas sondagens, Eduardo Gianetti da Fonseca descendo. Pérsio Arida cresce, mas devagar, talvez devagar demais.

Não estranhe se não conhece nem sequer ouviu falar em nenhum destes nomes. Guedes, Pochmann e companhia são “apenas” os candidatos a ministros das finanças de cada um dos pretendentes à presidência da República do quinto maior, quinto mais populoso e, eis o mais importante no caso, oitavo maior PIB do planeta.

No entanto, se aos ouvidos da maioria dos eleitores brasileiros e às páginas dos jornais estrangeiros só chegam os nomes de Jair Bolsonaro (PSL), de Fernando Haddad (PT), de Ciro Gomes (PDT), de Marina Silva (Rede) ou de Geraldo Alckmin (PSDB), para falar exclusivamente nos cinco presidenciáveis mais bem classificados, os bancos, os grupos de empresários, o mercado financeiro, as associações de classe, as universidades e a imprensa especializada andam muito mais interessados naqueles nomes meio desconhecidos e de discurso meio incompreensível, cheio dos números e das siglas a que se convencionou chamar de economês, do que nos políticos propriamente ditos.

Por exemplo, Guedes, fundador do Banco Pactual, da faculdade Ibmec e do think tank Instituto Millenium, atual presidente da Bozano Investimentos e PhD em economia pela Universidade de Chicago, é considerado a coluna vertebral de Bolsonaro. Enquanto o candidato fala em armas e simula tiros de espingarda para o ar, o economista divide-se em maratonas de debates, entrevistas e palestras a garantir aos investidores que quem votar no PSL terá o governo mais liberal e amigo das privatizações de sempre no Brasil.

Pochmann, graduado em economia pela Universidade do Rio de Janeiro e doutorado em ciência económica pela Unicamp, vem dizendo nas mesmas maratonas de debates, entrevistas e palestras que o candidato do PT – que será Haddad, oficializado terça-feira – vai implodir as diretrizes do Governo Temer e devolver a bonança da Era Lula ao povo.

Marconi (a muleta de Ciro), Arida (o guru de Ackmin) e Giannetti (a trave mestra de um eventual Governo Marina) completam o quinteto ocupado desde há meses e até dia 7 em périplos pelos bancos, pelos grupos de empresários, pelo mercado financeiro, pelas associações de classe, pelas universidades e pela imprensa especializada.

Não podia ser diferente: depois do país passar por uma das crises económicas mais agudas da sua história, os economistas funcionam como guarda-chuvas e guarda-costas dos candidatos.

É o país por trás dos caçadores de votos nos comícios ou nos tempos de antena e dos slogans a puxar ao sentimento ou à lágrima como “o Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, do representante da extrema-direita Bolsonaro, ou “Fazer o Brasil feliz de Novo”, do candidato de centro-esquerda Haddad.

É o país real. E o país dos milhões de reais.

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