O cibercrime também pode matar

O mês de setembro ficou marcado por aquele que poderá ser o primeiro caso de homicídio diretamente ligado a um ciberataque na história da humanidade.

O que aconteceu?

No passado dia 10, foi dirigido um ciberataque contra um hospital na Alemanha, que explorou, com sucesso, uma vulnerabilidade nos sistemas tecnológicos hospitalares e interrompeu vários serviços, entre eles a admissão dos pacientes que chegavam por ambulância. De acordo com a informação divulgada pela imprensa, na sequência deste ataque, uma paciente em risco de vida não terá sido admitida e acabou por morrer ao ser reencaminhada para outra unidade hospitalar a 30 km de distância.

Quando li as notícias sobre este caso, não pude deixar de refletir sobre como a sociedade moderna depende das tecnologias de informação, sem que, na verdade, perceba que a cibersegurança é, por isso, essencial e transversal a todos os setores, bem como para todos os cidadãos. Como é possível que alguém seja privado de cuidados mínimos de saúde em virtude de um ciberataque e que isso possa determinar a vida ou a morte?

O que podemos fazer?

É imperativo alertar a sociedade para a ameaça cibernética, explicar o seu impacto e alcance potencial, e preparar as instituições, nomeadamente as infraestruturas críticas, como os hospitais, para terem planos de contingência para estas circunstâncias.

Além disso, as organizações de todos os setores têm de agir tanto na prevenção como na rápida recuperação dos sistemas e isso implica uma mudança estrutural na sua estratégia, que deve passar a incluir a cibersegurança na lista de prioridades, investindo em consultoria e auditoria, bem como em formação.

O sucesso de um ciberataque pode impedir a prestação de cuidados de saúde, mas também de outros serviços essenciais, como distribuição de água ou eletricidade, a tramitação de processos judiciais ou até recebimentos de ordenados, impedindo o pagamento de rendas, as compras do mês ou o pagamento das escolas dos filhos.

A cibersegurança é de tal forma universal que não olha a setores, nem a dimensões organizacionais, nem a conceitos de público ou privado, pessoal ou corporativo.

Pergunte-se, na sua vida pessoal e corporativa, que ações estão dependentes tecnologicamente? E quais aquelas que, em caso de interrupção, poderiam ter consequências devastadoras para o seu negócio, os seus serviços, os seus colaboradores e clientes ou até mesmo para si?

Cada vez mais dependemos da tecnologia e é, por isso, essencial colocar a cibersegurança na ordem do dia. O próximo alvo de ataque pode ser qualquer um de nós.

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