O cretino do escritório

Por mais que nos orgulhemos de trabalhar no melhor escritório do
mundo, há sempre uma alminha que insiste em salientar-se pela
negativa. É verdade que o contraste é importante para darmos valor
àquilo que temos, mas ter um cretino no escritório pode mesmo dar
cabo do ambiente.

Tudo está bem e corre sobre rodas, mas de repente o patrão
decide contratar um “génio” que apresenta como a última
Coca-Cola do deserto – indiferente a quantas pessoas lhe disseram
que preferiam mastigar cactos à procura de uma gota de água ou
mesmo morrer à sede.

O jovem, insuflado, mais de elogios do que sabedoria, vai ganhando
espaço à força e a única coisa que consegue é derrubar tudo à
volta e quebrar laços importantes de cada vez que tem uma ideia
brilhante. E nem adianta tentar argumentar que nada daquilo faz
sentido: ele está tão inebriado consigo próprio que até pode cair
ao rio, como um vulgar Narciso, e nem dá por que está a afogar-se.

Isso nem seria mau de todo, se o cretino do escritório se
enterrasse sozinho. O problema é que normalmente arrasta vítimas
consigo – mais ou menos, dependendo de quanto tempo permanece no
local. Aquele chefe de departamento que está lá desde o início e
conhece a empresa como a palma da sua mão aproveita para pedir a
reforma antecipada pois não está para aturar o “génio” e as
suas ideias absurdas. O rapaz revelação, que estava a ponto de
recusar um convite para ir trabalhar para outro sítio porque esta
empresa era tudo para ele, decide sair mesmo, depois de começar a
receber ordens aos gritos e de ser chamado de incompetente. A líder
dos projectos mais importantes que a empresa já conquistou recusa
ser promovida se é para lidar directamente com o cretino que se
tornou no protegido do chefe. E este acredita piamente que tudo não
passa de ciúmes e opiniões precipitadas.

Infelizmente, os cretinos só são descobertos como tal quando é
tarde demais. Quando o chefe se dá conta – normalmente porque o
“génio” foi pregar para outra freguesia, onde lhe pagam mais
(têm muitas semelhanças com mercenários, estes tipos), já ninguém
trabalha com tanta paixão, o amor à camisola já não existe. O
ambiente foi envenenado por um idiota vaidoso e cheio de si e a
empresa ressente-se disso.

Escutar o que dizem os seus empregados e sentir os seus desejos e
ambições é essencial para construir um ambiente de trabalho em que
todos se sintam bem e felizes. E não ignorar as pistas que lhe dão
sempre que tem de fazer uma mudança é fundamental. Se todos
estiverem felizes e se sentirem bem no escritório – sem cretinos a
envenenar o ambiente -, a produtividade vai subir em flecha.

Chefe de redacção-adjunta

Escreve à segunda-feira

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