O desconhecido por detrás do sucesso

Por detrás do êxito estrondoso do filme Tubarão estiveram uma série de acontecimentos que a maioria das pessoas desconhecem.

Considerado um dos melhores filmes jamais feitos, Tubarão foi o maior sucesso de bilheteira. Por detrás deste êxito estrondoso estiveram uma série de acontecimentos que a maioria das pessoas desconhecem. O filme teve uma produção problemática, ultrapassando largamente o orçamento e o cronograma originais. Richard Dreyfuss, o ator que interpreta Matt Hooper, um dos personagens principais, disse: “Começámos o filme sem roteiro, sem elenco e sem tubarão.”

No documentário com o seu nome, Spielberg confessou que o filme esteve para ficar inacabado. Várias vezes o estúdio ameaçou deixar de financiar a produção. O facto de as filmagens com o tubarão acontecerem no mar, coisa que até à data nunca se tinha feito, trouxe uma série de problemas. Não poder controlar o vento, a chuva, as ondas, o nevoeiro, fez que se demorasse mais tempo a filmar, e, por consequência, adiar a data da estreia. Dias antes de começarem as filmagens, o tubarão começou a dar problemas mecânicos por causa da água salgada, não funcionando na totalidade. Estas limitações fizeram que Spielberg tivesse de redesenhar todas as cenas em que o tubarão aparece.

O filme foi repensado e a solução que se encontrou acabou por se tornar a imagem de marca do filme: a barbatana do tubarão e a música minimal sinistra, criando um suspense de cortar à faca. A banda sonora é da autoria do brilhante compositor John Williams. Antes e durante as filmagens, vários membros da equipa quiseram desistir, mas Spielberg, com apenas 25 anos, conseguiu convencê-los a acreditar e a levar o projeto até ao fim. E parece que valeu a pena confiar no homem.

As campanhas que mais me orgulho de ter ajudado a fazer, tem algo em comum: ideias que até então nunca tinham sido feitas. A resistência começa mesmo antes da ideia ser apresentada ao cliente e continua até que esta veja a luz do dia, ou os cliques do YouTube. O medo do desconhecido leva a que as pessoas questionem, ponham em causa o projeto, digam que é impossível e às vezes até se riem na nossa cara. Fazer algo que nunca foi feito, causa pânico. É normal, é natureza humana. Fazer os outros acreditar em coisas que nós não fazemos a mínima ideia se vai dar certo ou não, não é um talento mas sim um processo exigente. Exige comprar várias brigas. Exige insistir, procurar caminhos alternativos, às vezes nas bordas da lei. Exige ser muito chato e andar sempre atrás. Exige ser duro, sem ser tirano.

No fim, já ninguém põe em causa nem discute e celebramos todos juntos. E então se a ideia for reconhecida pela indústria, os que mais duvidaram são os primeiros a querer agarrar o troféu. Costumo brincar com a minha equipa, que pôr de pé ideias destas deixa marcas e às vezes cicatrizes. Porque não tentar? O pior que pode acontecer é ficar tudo na mesma.

North American Executive Creative Director na VMLY&R NY

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