Opinião

O desconhecido por detrás do sucesso

epaselect epa06441435 US director Steven Spielberg poses for photographers upon his arrival at the premiere of the film 'The Post'  in Milan, Italy, 15 January 2018.  EPA/DANIEL DAL ZENNARO
epaselect epa06441435 US director Steven Spielberg poses for photographers upon his arrival at the premiere of the film 'The Post' in Milan, Italy, 15 January 2018. EPA/DANIEL DAL ZENNARO

Por detrás do êxito estrondoso do filme Tubarão estiveram uma série de acontecimentos que a maioria das pessoas desconhecem.

Considerado um dos melhores filmes jamais feitos, Tubarão foi o maior sucesso de bilheteira. Por detrás deste êxito estrondoso estiveram uma série de acontecimentos que a maioria das pessoas desconhecem. O filme teve uma produção problemática, ultrapassando largamente o orçamento e o cronograma originais. Richard Dreyfuss, o ator que interpreta Matt Hooper, um dos personagens principais, disse: “Começámos o filme sem roteiro, sem elenco e sem tubarão.”

No documentário com o seu nome, Spielberg confessou que o filme esteve para ficar inacabado. Várias vezes o estúdio ameaçou deixar de financiar a produção. O facto de as filmagens com o tubarão acontecerem no mar, coisa que até à data nunca se tinha feito, trouxe uma série de problemas. Não poder controlar o vento, a chuva, as ondas, o nevoeiro, fez que se demorasse mais tempo a filmar, e, por consequência, adiar a data da estreia. Dias antes de começarem as filmagens, o tubarão começou a dar problemas mecânicos por causa da água salgada, não funcionando na totalidade. Estas limitações fizeram que Spielberg tivesse de redesenhar todas as cenas em que o tubarão aparece.

O filme foi repensado e a solução que se encontrou acabou por se tornar a imagem de marca do filme: a barbatana do tubarão e a música minimal sinistra, criando um suspense de cortar à faca. A banda sonora é da autoria do brilhante compositor John Williams. Antes e durante as filmagens, vários membros da equipa quiseram desistir, mas Spielberg, com apenas 25 anos, conseguiu convencê-los a acreditar e a levar o projeto até ao fim. E parece que valeu a pena confiar no homem.

As campanhas que mais me orgulho de ter ajudado a fazer, tem algo em comum: ideias que até então nunca tinham sido feitas. A resistência começa mesmo antes da ideia ser apresentada ao cliente e continua até que esta veja a luz do dia, ou os cliques do YouTube. O medo do desconhecido leva a que as pessoas questionem, ponham em causa o projeto, digam que é impossível e às vezes até se riem na nossa cara. Fazer algo que nunca foi feito, causa pânico. É normal, é natureza humana. Fazer os outros acreditar em coisas que nós não fazemos a mínima ideia se vai dar certo ou não, não é um talento mas sim um processo exigente. Exige comprar várias brigas. Exige insistir, procurar caminhos alternativos, às vezes nas bordas da lei. Exige ser muito chato e andar sempre atrás. Exige ser duro, sem ser tirano.

No fim, já ninguém põe em causa nem discute e celebramos todos juntos. E então se a ideia for reconhecida pela indústria, os que mais duvidaram são os primeiros a querer agarrar o troféu. Costumo brincar com a minha equipa, que pôr de pé ideias destas deixa marcas e às vezes cicatrizes. Porque não tentar? O pior que pode acontecer é ficar tudo na mesma.

North American Executive Creative Director na VMLY&R NY

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