O elétrico veio para ficar e o mercado automóvel está no verde

Em março, os elétricos representaram mais de 10% do número total de veículos vendidos na China e as perspetivas apontam para números na ordem dos 50% em 2025.

Enquanto a Tesla marca tendências no mercado dos elétricos a nível mundial, a NIO, empresa chinesa de veículos elétricos, começa agora a posicionar-se para se juntar à gigante norte-americana, apelando ao entendimento entre a China e os EUA com o objetivo de encontrar soluções para reduzir as emissões de CO2. Isto tem algum sentido, uma vez que estas são as empresas de automóveis mais valiosas do setor, a nível global, e as que estão mais bem posicionadas para continuar a investir na investigação e desenvolvimento desta tecnologia, que continuará a ver aumentar a procura a nível mundial.

Após muitas questões sobre a vida útil destes veículos e discussões em torno do preço das baterias, o aparecimento de vários fabricantes tem impulsionado a movimentação do mercado, numa altura em que continuamos a avançar no sentido da democratização dos carros elétricos e híbridos. Isto gera um ciclo que convida à entrada de novos players no mercado português, nomeadamente de grupos chineses.

Apesar do especial interesse em comerciais ligeiros, prevê-se que o alargamento da oferta a médio e longo prazo com a Lynk a associar-se à gestão de frotas e a Polestar, uma submarca da Volvo, a investir no mercado de luxo.

Muitos países europeus já demonstraram interesse em deixar de vender carros a gasóleo e gasolina a médio prazo, incluindo o governo português, que tem incentivado a compra de veículos verdes. Contudo, se o objetivo é encorajar a compra de veículos com baixas emissões de CO2, a política fiscal deixou de fora uma grande fatia: os híbridos, que são uma opção interessante e bem mais em conta para as carteiras dos particulares e das empresas, e que apresentam valores de emissões mais baixos comparando com os carros a gasóleo ou a gasolina, que se apresentam como a oferta mais atrativa em termos de custos a curto prazo.

Nos últimos anos muito se tem falado dos reais custos de um veículo elétrico - manutenção, peças, carregamentos, entre outros - e se seria realmente uma boa aposta a fazer. Sendo as empresas os principais consumidores deste género de veículos, os benefícios fiscais podem ser o grande fator decisivo por permitir poupar ou recuperar parte do investimento a médio prazo, bem como um motor de crescimento deste segmento, mas será essa intensificação suficiente para tornar o mercado mais interessante e apelativo para os compradores privados e empresariais?

Quanto mais atrativo for o mercado português, mais oferta teremos, o que trabalhará a favor do consumidor, principalmente no que respeita a custos.

Por agora a questão é: estará o elétrico pronto para as reais exigências do dia-a-dia? Não há certezas e depende sempre do tipo de utilização de cada indivíduo, pois a realidade é que ainda existem muitas dúvidas em relação ao tipo de investimento que será melhor para a nossa realidade, em muito devido à falta de histórico. Este é um mercado quase embrionário e ainda tem muitos por onde evoluir, muitos sucessos e muitas falhas, mas este é o preço a pagar pela inovação e para se ser pioneiro.

João Pontes, Partner na Expense Reduction Analysts

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