Opinião

O Espírito de Economia

Fotografia: DR
Fotografia: DR

As pessoas fazem as Instituições e as Instituições são a base da nossa Sociedade. Com pessoas motivadas e imbuídas dum sentido de modernidade participativa e com Instituições fortes e estruturadas, temos as bases de uma Sociedade Aberta e Participativa, centrada num contrato de confiança com o futuro. Todos passámos pelas nossas experiências, todos temos a nossa história e os nossos desafios. E todas têm um certo sentido de espírito. No meu caso, no contexto de 30 anos de licenciatura na Faculdade de Economia do Porto, posso falar de forma convicta de um verdadeiro Espírito de Economia.

Nos anos 80, Portugal vivia um momento muito especial – adesão à então Comunidade Económica Europeia, abertura da economia e das suas diferentes fileiras a uma participação mais ativa no espaço global, construção de uma nova agenda social focada na participação aberta e num sentido de modernidade inovadora e estratégica. A Faculdade de Economia do Porto era à data uma plataforma dinâmica de encontro de várias gerações de docentes e alunos e acompanhava de forma inteligente as novas dinâmicas em curso. Na FEP – como é conhecida, tivemos muito o laboratório de evolução do espírito e sentido de mudança e evolução da nossa economia.

Foi a partir dos anos 80 que a Economia Portuguesa começou a ter um foco claro em novos drivers de crescimento – a aposta na inovação, o desafio do investimento estrangeiro e a consolidação de uma nova agenda colaborativa entre a academia de o mundo empresarial, centrada num novo contexto de cadeia de valor com resultados e impactos muitos positivos ao nível da agenda económica como um todo. A minha geração dos anos 80 da FEP é um bom exemplo da vivência intensa desse novo paradigma da economia portuguesa e a forte integração no tecido empresarial e financeiro permitiu ter um acompanhamento muito ativo destas novas apostas estratégicas.

Num tempo em que a agenda da nossa economia se foca muito em temas centrais como a transformação digital, o reposicionamento das relações económicas internacionais e o novo papel dos talentos na consolidação de uma cadeia de valor de excelência para as diferentes fileiras da nossa economia, é muito salutar renovar o sentido de aposta no futuro que o Espírito de Economia sempre representou e continua a perpetuar num tempo incerto e complexo como aquele que vivemos. A capacidade de saber colaborar em rede e responder com inovação e criatividade aos desafios que temos pela frente são uma marca desses saudosos tempos dos anos 80 que se mantém muito atual nos tempos que vivemos.

Belmiro de Azevedo, um dos grandes empresários gestores da história da nossa economia, que soube como ninguém nos anos 80 apostar de forma estratégica no crescimento de um grupo empresarial centrado na inovação e no papel dos talentos, simbolizou a sua agenda de modernidade numa iniciativa à data emblemática conhecida como o Espírito do Douro. No mesmo sentido desta aposta simbólica, também o Espírito de Economia é o exemplo de que o sucesso da colaboração entre pessoas e reforço do papel das instituições é uma referência inteligente do passado para o futuro.

Francisco Jaime Quesado, Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal  Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Mário Vaz. “Havendo frequências, em julho teríamos cidades 5G”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), durante a cerimónia militar do Instituto Pupilos do Exército (IPE), inserido nas comemorações do 108.º aniversário da instituição, em Lisboa, 23 de maio de 2019.  ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Marcelo: “Quem não for votar, depois não venha dizer que se arrepende”

Certificados

Famílias investiram uma média de 3,3 milhões por dia em certificados este ano

Outros conteúdos GMG
O Espírito de Economia