Opinião

O exemplo da Tecparques

Tecparques

 

A aposta que Portugal tem feito nos Parques de Ciência e Tecnologia através da Tecparques, que comemora 20 anos de atividade, é um compromisso com o Futuro. Pretende-se apostar em “Plataformas de Competitividade e Inovação” (PCI) que se assumam como verdadeiras âncoras para um novo Modelo Estratégico para a Economia Portuguesa. Em tempo de profunda crise internacional, com a maior parte dos sectores de actividade confrontados com falta de perspectivas de recuperação, a dinamização dos Parques de Ciência é essencial. As áreas da nova economia e dos sectores tradicionais, como projectos integrados de base nacional, acabam por ser um importante teste à capacidade de encontrar novas soluções associadas à Inovação e Conhecimento, criando condições para uma nova aposta para o futuro.

O papel de empresas de referência como a Embraer, a Critical Software, a Crioestaminal, entre outras, é decisivo. Trata-se dum movimento de “aglomeração de base” da sociedade civil, numa lógica de “eficiência colectiva” em que a capacidade regional de afirmar capacidades numa lógica mais global vem ao de cima. Os objectivos estratégicos dos Parques de Ciência são claramente um exemplo de exame à capacidade efectiva dos actores económicos de “agarrarem” o desafio da Competitividade duma forma estruturada e coerente. Impõe-se uma aposta séria nesta nova fase, mais ambiciosa, voltada para a Internacionalização e para a Criação de Valor Global.

O Investimento Directo Estrangeiro desempenha um papel de alavancagem da mudança único. Portugal precisa de forma clara de conseguir entrar com sucesso no roteiro do “IDE de Inovação” associado à captação de Empresas e Centros de I&D identificados com os sectores mais dinâmicos da economia – Tecnologias de Informação e Comunicação, Biotecnologia, Automóvel e Aeronática, entre outros. Trata-se duma abordagem distinta, protagonizada por “redes activas” de actuação nos mercados globais envolvendo os principais protagonistas sectoriais (Empresas Líderes, Universidades, Centros I&D), cabendo às agências públicas um papel importante de contextualização das condições de sucesso de abordagem dos clientes.

O sucesso dos Parques de Ciência é fundamental para o futuro do país. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas “Novas Plataformas de Competitividade” a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assumpção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento económico. Inovação, Conhecimento e Criatividade são as palavras chave de uma estratégia centrada na criação de valor Global com efeito no Emprego e Riqueza.

A Economia Portuguesa precisa de um novo Choque. E compete também aos Parques de Ciência a liderança do Processo de Mudança. Impõem-se Parques de Ciência capazes de projectar no país uma dinâmica de procura permanente da criação de valor e aposta na criatividade. Num tempo de mudança, em que só sobrevive quem é capaz de antecipar as expectativas do mercado e de gerir em rede, numa lógica de competitividade aberta, os Parques de Ciência não podem demorar. Têm que ser a base do futuro que queremos que seja já hoje! Para tal, a aposta em sectores chave e uma verdadeira mobilização de todos os actores do território será uma condição central.

* Economia e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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