Opinião

O futuro das profissões: o mundo depois de 2020

Fotografia: Rungroj Yongrit/EPA
Fotografia: Rungroj Yongrit/EPA

A transformação digital é cada vez menos uma questão de cariz meramente tecnológico.

No passado muito se falava de como seria o mundo em 2020. O facto é que já vivemos a revolução tecnológica que, até então, só existia nas histórias de ficção científica. A transformação digital está muito presente no nosso dia-a-dia, obrigando a que qualquer produto, serviço ou empresa crie a sua pegada no mundo digital. Se as empresas não se adaptarem vão ser inevitavelmente deixadas para trás. Do mesmo modo, as pessoas mais empregáveis serão as que estão constantemente a evoluir e a aprender.

Segundo o relatório Jobs of Tomorrow, do WEF (2020), a Quarta Revolução Industrial, as mudanças demográficas, as transformações industriais e as necessidades dos consumidores estão a criar a procura por milhões de novos empregos, com vastas novas oportunidades para satisfazer o potencial e as aspirações das pessoas. A Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (IA) e outras tendências em inovação serão os grandes protagonistas dos nossos dias que obrigam ao surgimento de novas profissões e de novas skills. A Forbes (2020) afirma que, só em 2018, o número de empresas a recorrer à Inteligência Artificial triplicou; 37% das empresas implementou a IA de alguma forma.

A rede social LinkedIn rastreia habitualmente o número de profissionais contratados para novas oportunidades. Desse estudo (WEF, 2020) resultam sete clusters distintos de setores profissionais: Dados e IA; Engenharia e Computação em Nuvem; Pessoas e Cultura; Desenvolvimento de Produtos; Vendas, Marketing e Conteúdo; Economia de Cuidados; e Economia Verde. Estes são os sete clusters profissionais que demonstraram um maior crescimento nos últimos cinco anos. Tal como se pode ler na figura 1, por exemplo, até ao final de 2020, o cluster de Dados e IA representará 78 de cada 10 mil oportunidades de emprego e, até 2022, espera-se que tenha um aumento para 123 de cada 10 mil oportunidades de emprego.

Clusters de profissões do futuro, 2020-2022 (WEF)

Clusters de profissões do futuro, 2020-2022 (WEF)

De entre estes setes clusters, o WEF (2020) aponta para o aparecimento de um conjunto de novas profissões, tais como: analistas e cientistas de dados, desenvolvedores de software e aplicativos, especialistas em comércio eletrónico e redes sociais, profissionais de atendimento ao cliente, profissionais de vendas e marketing, especialistas em desenvolvimento organizacional e gestores de inovação; especialistas em inteligência artificial e machine learning, especialistas em automação de processos, analistas de segurança da informação, designers de user experience e da interação homem-máquina, engenheiros de robótica, especialistas em blockchain, entre tantos outras.

Contudo, esta transformação digital é cada vez menos uma questão de cariz meramente tecnológico, constituindo também uma mudança de paradigma que afeta as pessoas. Segundo Jeanne Meister (2020), os novos skills são power skills. Haverá uma necessidade cada vez maior de os trabalhadores do futuro aprimorarem os seus power skills, traduzidos numa combinação de soft skills, thinking skills e digital skills. O segredo para atrair e desenvolver a próxima geração será desenvolver estas power skills.

Power skills (Jeanne Meister, 2020)

Power skills (Jeanne Meister, 2020)

Também o ecossistema de marketing está a ser redefinido e reconfigurado em resultado dos desenvolvimentos digitais. O conjunto de skills necessário para ser um profissional de marketing eficiente também está a mudar, bem como surgem novas funções (Smith, 2017): Chief Experience Officer (CEO), produtor de realidade aumentada, analista de dados, desenvolvedor de bots, entre outras.

O marketing digital, especificamente, é um cenário em constante evolução, com um incessante aparecimento de tendências e novas tecnologias. Os interesses e comportamentos do consumidor tornaram-se mais difíceis de prever, valendo a ajuda da Inteligência Artificial (IA) e da Internet of Things (IoT) que se prevê fornecerem melhores informações sobre os clientes em 60% (Smith, 2017). A IA e a IoT permitem às marcas conhecer com muito mais detalhe o comportamento do seu público, através do mapeamento das suas ações e da previsão dos passos seguintes. De facto, a IA alterará as estruturas de marketing existentes, uma vez que irá permitir fazer coisas diferentes. É capaz de criar experiências altamente personalizadas em grande escala, e em tempo real. A capacidade de trabalhar os dados e de reagir em tempo real irá representar uma mais-valia para as empresas que têm de ser cada vez mais rápidas e autossuficientes.

Joana Carmo Dias é professora de marketing e publicidade no IADE (com a colaboração dos estudantes Rebeca Balahura e André Monteiro)

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