O Futuro do Trabalho: saiba o que vai acontecer

Quando falamos do Futuro devemos imediatamente explicitar em que plano temporal falamos: o muito curto prazo, o médio prazo ou o longo prazo. Todos eles são importantes nomeadamente o curto e o médio prazo que são aqueles em que temos mais probabilidades de viver. O longo prazo é seguramente importante na medida que em nos temos de preparar para ele e essa preparação deve começar o mais cedo possível.

O trabalho, fonte de todo o valor social, tem nos últimos anos seguido três grande tendências:

1) Aprofundamento acelerado da divisão do trabalho, que se traduz na especialização crescente das atividades laborais, com a emergência de múltiplas profissões que não existiam no passado;

2) Crescente mecanização, incluindo a informatização, das tarefas implicando uma menor necessidade de especialização dos executantes; 3) Concentração nos países mais desenvolvidos das tarefas de estudo, organização e gestão e nos países menos desenvolvidos das tarefas de execução.

As duas primeiras tendências têm como consequências a precarização de grande parte das tarefas de execução, e a contraditória necessidade de períodos mais longos de escolarização da força de trabalho em simultâneo com a desvalorização salarial dos diplomas académicos. A segunda tendência tem também como consequência o assalariamento e a proletarização de muitas profissões que antes se incluíam nas profissões liberais ou na pequena burguesia de serviços.

A terceira tendência surge como uma forma de reter nos países mais desenvolvidos o controlo das longas cadeias de produção internacional, garantindo que o valor gerado é apropriado por esses países.

Perante estas tendências estruturais do mercado de trabalho os países se não retêm empresas capazes de ser o cérebro e a cabeça dessas longas cadeias de valor, acabam condenados a acolher meras funções de execução em cadeias de valor alheias.

As privatizações foram o momento decisivo em que Portugal se retirou da corrida e passou as poucas empresas portuguesas capazes de gerir cadeias de valor internacional para as mãos de empresas estrangeiras. Abdicou de uma presença na primeira divisão e acantonou-se na segunda divisão. Assim acabou por acontecer nas telecomunicações, na banca, em largas áreas da industria e até da agricultura.

Neste contexto, se nada for feito, Portugal fica absolutamente dependente do investimento externo para a criação de trabalho que será sempre do tipo executante quer na indústria quer na agricultura quer mesmo nos serviços. Ora esse tipo de trabalho tenderá a ser cada vez mais desvalorizado e pior pago.

E o teletrabalho? E a digitalização? E os despedimentos nos Bancos? E a privatização da TAP? Todas se incluem nesta dinâmica do trabalho a nível internacional. O teletrabalho na segunda tendência, a digitalização e os despedimentos na Banca também, e a TAP na competição internacional pelo controlo das empresas capazes de encabeçar cadeias de valor relevantes.

Em conclusão no curto prazo e médio teremos o aprofundamento destas três tendências traduzir-se-á, se nada for feito em contrário, em maior precarização, persistente desvalorização das habilitações académicas em termos salariais, crescente tendência nacional para se concentrar na execução de tarefas de empresas alheias, proletarização aceleradas de várias profissões liberais e de serviços.

Um futuro pouco risonho sem dúvida. Portugal precisa de uma nova abordagem à questão do Trabalho.

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