O Futuro é dos Fazedores e o país tem de apoiá-los

São portugueses, ainda não chegaram aos 30 anos e já têm no currículo inovações capazes de mudar o mundo. Podem não ter chegado (ainda) ao estatuto de unicórnios - fasquia conquistada por quatro empresas de ADN português no último ano, mais que duplicando a nossa representação no mais alto nível de empreendedorismo em plena pandemia -, mas as histórias dos cinco empreendedores que o Dinheiro Vivo levou ao palco do Estúdio Time Out Mercado da Ribeira são um exemplo do que de melhor se faz por cá. Uma prova do imenso talento português, que Inês, Francisco, Dário, Luís e Tiago representam, mas que vai muito além deles, multiplicando-se em valor e chegando já às estruturas das maiores empresas, que estão cada vez mais atentas à necessidade de inovar e de integrar os criadores, mais do que as suas criações.

Portugal precisa de ser empreendedor, de recuperar o ímpeto que nos Descobrimentos o levou aos quatro cantos do mundo e de cada um trouxe algum elemento novo para acrescentar riqueza ao que é ser português. De voltar a ter coragem de enfrentar o desconhecido, dobrar dificuldades e conquistar os Adamastores que forem surgindo em mares nunca antes navegados.

Portugal sempre foi uma nação de corajosos empreendedores, de pessoas que encontram soluções capazes de revolucionar a forma como olhamos para o mundo, de ir onde nenhum outro povo ousava. O que vemos nestes cinco fazedores é que décadas de depressão e fracas perspetivas, de dependência de modelos envelhecidos e ultrapassados, de lutas sem sentido, teimas ideológicas e amuos que apenas nos atrasam, não quebraram o espírito deste povo.

Mas hoje enfrentamos o maior desafio da nossa existência: os nossos melhores estão a fugir-nos. A crise de talento de que cada vez mais ouvimos falar não se resolve com debates políticos ocos ou discussões sobre salários miseráveis. É preciso criar condições para mais jovens verem que aqui podem construir a sua vida criando projetos interessantes, relevantes, úteis, capazes de fazer a diferença como os nossos navegadores fizeram há 500 anos. Sem o risco de um dia olharem para trás e verem que podiam ter vivido muito mais, criado muito mais, sido muito mais felizes noutro país. Ou pior, de o país se tornar velho e mirrado porque os seus melhores se foram. É fundamental fixar os que temos, criar condições para termos muito mais, em duas décadas contrariando a assustadora tendência demográfica atual e atrair a criatividade e o saber de quem pode acrescentar valor.

A possibilidade de os nossos jovens crescerem, progredirem, se inventarem sem paredes que lhes espartilhem a criatividade é um caminho que temos de trilhar já. A via para os pôr na rota de projetos interessantes, disruptivos tem de ser aberta desde o momento presente.

Muitas empresas portuguesas têm caminhado, em estreita ligação com a academia, para identificar os mais capazes e dar-lhes o sopro necessário para os elevar a voos mais altos, quer através de financiamento quer de impulsos e estímulos ao empreendedorismo ou mesmo pela criação de veículos e estruturas em que possam tornar-se nas suas melhores versões. Eles têm sido fundamentais para empresas como a Galp, o BCP ou a A-To-Be, mas também a Altice, a Luz Saúde ou a Innowave se reinventarem neste novo mundo.

Agora é preciso que todo o país entre neste barco sem reservas, que os decisores públicos não levantem barreiras à inovação e ao empreendedorismo, que o imensamente pesado Estado não os ofusque e esmague pelo medo e pela incapacidade de abrir lugar para os integrar (num momento em que temos quase pleno emprego, soubemos ontem que há 36 157 jovens desempregados...).

O governo que sair das eleições de dia 30 terá de levar este desafio muito a sério, sob pena de perdermos a geração mais bem preparada de sempre - e sem ela vermos o país afundar irremediavelmente. Cabe-lhe desviar barreiras, acabar com burocracias e complexidades, simplificar processos, aliviar fiscalidade e criar as condições para que possamos desenvolver-nos numa realidade que ainda não conhecemos. E é sua maior responsabilidade garantir que nesse processo não se perde o valor dos que já têm anos de experiência, que são essenciais nesta transformação mas têm de ser valorizados e reconvertidos em tempo útil e pelos moldes adequados para enfrentar o futuro que já aqui está.

Há dez anos, o Dinheiro Vivo surgiu quebrando formatos estabelecidos e regras comuns. E começou a contar as histórias de quem todos os dias faz por trazer a diferença para melhor. Dar palco a quem põe o seu melhor ao serviço do país continua a ser parte essencial do nosso ADN. Sobretudo num momento em que os desafios que o país enfrenta são especialmente duros e, mais do que nunca, precisamos desse espírito inovador para levar Portugal mais além. Juntos.

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