O futuro em dia de reflexão

Neste 1.º de Maio, e face às disrupções no mundo laboral que a pandemia trouxe, além da comemoração impõe-se a reflexão - sobre o passado recente e, sobretudo, sobre o futuro.

Os acontecimentos vieram mais uma vez provar a importância do sindicalismo neste século XXI. Ao contrário do que insistem certas vozes, são os sindicatos que estão junto aos trabalhadores quando mudanças aceleradas põem em causa o emprego, os rendimentos e os seus direitos.

Mas se esta realidade é inabalável, não é menos verdade que os sindicatos não podem permanecer como entidades estáticas. A mudança na sociedade e no trabalho está aí e é preciso compreendê-la e adaptar-se a ela, sem nunca perder de vista os princípios que nos norteiam.

Um dos maiores desafios que os sindicatos enfrentam é chegar aos jovens trabalhadores. Anos de cultura individualista, de formas atípicas de contratação na entrada no mundo laboral e de desconsideração propalada pelos que beneficiam do seu enfraquecimento afastaram os mais jovens, considerando-se mais protegidos do desemprego se renegassem quem os pode defender.

Mostrar-lhes o seu equívoco e provar-lhes que estão mais defendidos se pertencerem a um coletivo é a missão dos sindicatos. Mas para tal os sindicatos têm de alterar hábitos, formas de atuar, deixar para trás velhas crenças, saber interpretar a realidade e agir em conformidade.

Não é fácil, reconheçamo-lo. Mas é fundamental se quisermos um futuro com direitos no mundo do trabalho.

O Mais Sindicato - Sindicato do Sector Financeiro tem percorrido esse caminho, adaptando-se a cada passo à realidade da banca e respondendo aos novos problemas.

Nesta fase de pandemia e de mudanças no setor, em que os bancos pretendem aceleradamente encerrar balcões e serviços e rescindir contratos com os trabalhadores, temos estado presentes para apoiar os nossos sócios. Criámos serviços novos - como a linha SOS Laboral para resposta rápida às situações - pressionando as administrações para a negociação nas convenções coletivas das novas formas de prestação de trabalho, como o teletrabalho, e sobretudo, estando atentos e não permitindo qualquer forma de intimidação dos trabalhadores que aceitem uma saída que não desejam.

A pandemia veio precipitar a digitalização da banca e, com ela, desencadeou uma situação que se desenvolvia dentro de parâmetros controlados, com acordos de reforma ou rescisões por mútuo acordo que satisfaziam ambas as partes.

Não nos iludamos: a redução das redes comerciais da banca é uma realidade. Mas o modo de prestar trabalho no setor é um futuro em aberto. Os bancos continuarão a precisar de trabalhadores - e o Mais Sindicato estará aqui para negociar os direitos dos bancários nos novos postos de trabalho.

*Presidente do Mais Sindicato - Sindicato do Setor Financeiro

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